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Crise no Governo
Quarta, 30 de novembro de 2005, 19h20 
Câmara dos Deputados cassa mandato de Dirceu
 
Divulgação

Dirceu chegou ao plenário dez minutos antes do horário previsto
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma derrota na noite desta quarta-feira ao ter o primeiro deputado petista cassado em 25 anos de história e seis meses após a deflagração da maior crise política do Brasil. Por um placar apertado, 293 votos contra 192, o plenário da Câmara cassou o mandato de Dirceu e o tornou inelegível por oito anos por quebra de decoro parlamentar no envolvimento no suposto esquema do "mensalão". O placar da Câmara registrou 495 votantes, oito abstenções, um voto em branco e um nulo.

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O ex-homem forte do governo anunciou que vai comentar o resultado nesta quinta-feira em uma entrevista coletiva às 14h30, no Plenário 8 da Câmara dos Deputados. Ele disse que não se arrepende de "lutar" pela sua inocência, pois entrou com vários recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) e realizou uma série de manobras políticas para tentar barrar a votação de seu processo em plenário.

Dirceu chegou ao plenário da Câmara às 18h50 desta quarta-feira, ou seja, dez minutos do horário previsto para o início da sessão extraordinária na Casa. O agora ex-deputado chegou demonstrando tranqüilidade e acreditando "convencer" os deputados sobre sua inocência e, assim, escapar da cassação. "Eu confio que a Câmara me fará justiça", disse o ex-ministro. "Vou continuar na vida pública, qualquer que seja o resultado. Continuo filiado ao PT", completou.

Ao chegar ao plenário, o deputado foi cercado por um batalhão de jornalistas. Indagado sobre as denúncias de corrupção, Dirceu disse que não há provas sobre o mensalão. "Nem contra mim, nem contra o presidente Lula", disse.

Dirceu afirmou que seu discurso de defesa não seria diferente de tudo que falou nos últimos seis meses. "Não aceito cassação política porque isso é ditadura". O ex-ministro disse ter conversado com praticamente todos os deputados pessoalmente ou por telefone e apresentou sua defesa.

A sessão começou pouco depois das 19h, com um breve discurso do deputado Alberto Goldman (PSDB). Às 19h20, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) ocupou a tribuna com ataques diretos ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Por volta das 19h35, o relator do processo contra Dirceu, deputado Julio Delgado (PSB-MG), iniciou seu discurso defendendo a cassação do mandato de Dirceu. Delgado disse que o ex-ministro teve mais direito de defesa que qualquer outro brasileiro.

Após insistência do deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), declarou que não votaria contra ou a favor de José Dirceu. Dirceu retirou-se do plenário logo após o término da votação e não assistiu à contagem dos votos.
 

Redação Terra
 
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