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Crise no Governo
Quinta, 24 de novembro de 2005, 15h19  Atualizada às 16h22
João Paulo: documento comprovaria saque a mando de Delúbio
 
Agência Brasil
João Paulo Cunha depõe no Conselho de Ética
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O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) apresentou nesta quinta-feira uma declaração que comprovaria que o saque de R$ 50 mil que fez das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza foi a mando do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. No documento, o ex-tesoureiro assumiria que pôs à disposição no Banco Rural os R$ 50 mil sacados pela esposa do deputado das contas. João Paulo depôs ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.

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Na declaração, Delúbio afirmaria que João Paulo não tinha conhecimento da origem do dinheiro. "Se eu soubesse que tivesse qualquer possibilidade de qualquer irregularidade nesse processo eu iria mandar a minha esposa? Seria uma estupidez. Pedi para ela ir porque tinha certeza de que era um dinheiro oriundo dos cofres do PT".

João Paulo disse que o dinheiro foi usado para pagar pesquisa de opinião na região de Osasco, mas admitiu que não repassou ao diretório nacional do PT as notas fiscais. Segundo ele, os recursos foram repassados ao responsável pela contratação do trabalho e que não tem responsabilidade sobre isso.

O relator do processo contra João Paulo, deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) questionou as notas fiscais apresentadas pela empresa que fez a pesquisa de opinião. Segundo ele, as três notas apresentam números seqüenciados, ainda que com intervalo de três meses entre a primeira e a última. Na opinião do deputado, ou a empresa só fez esse trabalho de pesquisa durante o período, ou há algo de errado com a documentação.

Segundo o deputado, sua prestação de contas ao PT foi feita por meio da apresentação dos resultados das pesquisas, que foram realizadas pelo instituto e pagas por ele. João Paulo disse ainda que tentou corrigir o erro, mas não conseguiu obter as notas fiscais do trabalho porque são referentes ao ano de 2003.

Ao inquirir João Paulo Cunha, o deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP) disse não estar convencido da inocência do colega. Ele admitiu que a apresentação das pesquisas como prestação de contas pode ser importante do ponto de vista político, mas estranhou a inexistência das notas fiscais correspondentes.
 

Agência Brasil