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Crise no Governo
Quarta, 28 de setembro de 2005, 20h15 
Governo ganha presidência da Câmara com Rebelo
 
Reuters
Aldo Rebelo teve 258 votos
Aldo Rebelo teve 258 votos
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O deputado governista Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi eleito presidente da Câmara na noite desta quarta-feira ao somar 258 votos dos colegas e derrotar o deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL), que teve 243. Houve seis votos em branco e dois nulos. Em meio à crise política, o governo emplaca uma vitória marcada por intensa movimentação política e arranhada por fortes denúncias de negociação de cargos e liberação de verbas para Ministérios.

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Na terça, o governo federal já havia apostado todas as suas fichas em Rebelo, com a interferência direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com a conquista do apoio do PL, já em primeiro turno, mediante a promessa de liberação de R$ 1 bilhão para o Ministério dos Transportes, comandado por Alfredo Nascimento - indicação dos liberais. Entretanto, o dia começou tenso e, ainda na manhã, nova derrota. Michel Temer (PMDB-SP) anunciou a desistência e pediu voto para Nonô. Ainda durante a contagem dos votos do primeiro turno, líderes governistas correram atrás de alianças.

Os primeiros a anunciarem apoio foram PP e PTB, em decisão tomadas em reuniões das bancadas por ampla maioria. Mais tarde, o PDT anunciou que liberou a bancada do voto. Apesar da disputa acirrada, o governo sai fortalecido do primeiro turno, pois chegou a temer que Aldo não passaria da primeira etapa da votação. Circulava na Câmara a informação de que Nonô só venceria se o governo fosse vítima de traição.

No discurso de posse, o novo presidente da Câmara disse que o seu maior desafio será restabelecer a confiança da população na Casa. O deputado afirmou que pretende conduzir os trabalhos abrindo mais espaço para o colégio de líderes e para os presidentes das comissões permanentes, e pediu apoio dos parlamentares para a retomada das votações. Para ele, a agenda política deve levar em conta os anseios da população.

"O Brasil é um país carregado de virtudes e qualidades, mas também um país cheio de deformações, de desequilíbrios e injustiças. Cabe a essa Casa abraçar as nossas imensas potencialidades e, ao mesmo tempo, remover os obstáculos para que a nossa sociedade seja mais justa, mais igual", disse o novo presidente.

Rebelo negou que tenha feito qualquer acordo com os pequenos partidos para acabar com a cláusula de barreira. Ele lembrou que alguns desses partidos anunciaram apoio ao candidato da oposição ainda no primeiro turno. Aldo disse que a possibilidade de mudança nas atuais regras sobre a cláusula de barreira não foi discutida em qualquer reunião com paralemtares ou líderes durante todo o processo eleitoral na Câmara.

Em um pronunciamento de onze minutos, Rebelo agradeceu o apoio dos parlamentares e a atuação de seus adversários na eleição, principalmente de Nonô, a quem convidou para sentar-se ao seu lado durante o primeiro pronunciamento.

Rebelo vence a eleição realizada depois de o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) renunciar a seu mandato ao ser ver envolvido em um escândalo de corrupção.
 

Redação Terra