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Crise no Governo
Segunda, 26 de setembro de 2005, 20h51 
Quatro deputados estaduais deixam o PT
 
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A deputada estadual Brice Bragatto (ES) e mais três deputados estaduais: Afrânio Jofre (SC), Araceli Lemos (PA) e Randolph Rodrigues (AP) anunciaram a saída do Partido dos Trabalhadores. Segundo a deputada sua saída deve-se ao fato "do partido ter se esgotado estrategicamente e ter traído também a sua proposta original".

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No caso capixaba não é apenas a deputada que deixa o partido mas extingue-se, no Estado, uma das tendências petistas, pois a Ação Popular Socialista deixa de existir. Permanecem ainda no partido os deputados Cláudio Verezza, ex-presidente da Assembléia Legislativa, e Carlos Castiglione. Outro petista, o deputado Helder Salomão deixou o parlamento depois que foi eleito prefeito de Cariacica, na região Metropolitana de Vitória.

Junto com Brice Bragatto outros cem filiados deixaram a sigla, incluindo lideranças comunitárias, sindicalistas e representantes comunitários. Entre eles, o presidente do Sindicato dos Bancários, as presidentes do Sindiprev e do Sindisaúde, representantes do Sintufes, lideranças do Movimento dos Estudantes, o secretário de Combate ao Racismo do PT no ES e a secretária de Cidadania de Vitória.

Além das lideranças, mais 60 militantes de base também deixaram a legenda. A decisão foi tomada em caráter nacional, durante encontro realizado neste final de semana, no Instituto Cajamar, em São Paulo. De acordo com a deputada, por força da legislação eleitoral, até sexta-feira será decidido qual partido político o grupo deverá assumir.

Existem dois convites. Um convite foi formulado pelo PSOL e o outro por um partido "à esquerda" que a deputada não quis revelar. Ela, no entanto, fez questão de frisar que "a preocupação do grupo é com a construção de novas opções políticas" e que "isso promete ser um debate longo". "Vamos entrar provisoriamente em um partido e o debate vai continuar pois construir uma nova opção é um processo longo".

No momento a preocupação, conforme frisou a deputada, "é buscar uma alternativa de política anti-neoliberalismo em 2006, e que seja também democrática, popular, de esquerda e socialista". Como justificativa para a saída do grupo a deputada explicou que "em caráter nacional é uma compreensão de que o PT se esgotou estrategicamente".

O partido foi fundado para uma mudança socialista no país e traiu a sua proposta original". Com uma boa dose de humor a deputada disse ainda que o partido sofreu um processo lento, gradual e seguro ¿ como o do regime militar do presidente Figueiredo ¿ de degeneração que veio acontecendo nos últimos 15 anos. E que passou por filiações em massa, sem critério, uma política de alianças com qualquer partido, expulsão de quadros de maneira autoritária e o pagamento da dívida externa sem qualquer negociação, entre outras ações.
 

JB Online