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Crise no Governo
Sexta, 16 de setembro de 2005, 18h55  Atualizada às 21h13
Partidos articulam sucessão na Câmara
 
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Os partidos aliados e da oposição já começaram a escolher o substituto para o cargo do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, mesmo antes da possível renúncia de Severino. O PT, apesar ter a maior bancada da Câmara, sai em desvantagem e corre o risco de ficar mais uma vez sem o comando da Casa.

"Temos que trabalhar com um cenário ideal e encontrar alguém que não seja nem tão governo nem tão oposição, um representante mais imparcial", afirmou o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ). A oposição, porém, resiste em aceitar um nome petista e pode, na reta final, apoiar um candidato da base aliada que tenha condições de neutralizar a influência do governo na Câmara.

A melhor saída, tanto para o governo quanto para oposição, é encontrar um nome de consenso e evitar a disputa política, como a que garantiu a eleição de Severino Cavalcanti no início do ano. Ele venceu, por folgada maioria, o candidato oficial do PT, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), derrotado após ter lutado em várias frentes para emplacar seu nome, inclusive contra a candidatura avulsa do petista Virgílio Guimarães (PT-MG). Pela liturgia parlamentar, a presidência da Câmara é sempre concedida à à maior bancada, no caso, o PT.

Para alguns setores do PFL e do PSDB, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que faz parte da tendência indepentente do partido em relação ao Planalto. Embora a opção Temer seja vista com bons olhos, existe o receio de que o PMDB, que já preside o Senado, fique muito forte nas eleições presidenciais do ano que vem. O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), desponta como outra possibilidade nessa linha.

Contra o PT, pesa não só a resistência da oposição, mas também a conhecida disputa interna dentro da legenda. Há pelo menos quatro nomes cotados para assumir a vaga: os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP), Sigmaringa Seixas (PT-DF), Paulo Delgado (PT-MG) e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Nomes e barreiras
Entre os petistas, Cardozo tem boa relação com a oposição, é nome de fácil aceitação nos partidos. Seu maior problema, no entanto, é o PT paulista, que teme seu fortalecimento caso assuma a presidência.

Sigmaringa tem mais simpatia entre petistas. É próximo ao prefeito de São Paulo, o tucano José Serra, mas é amigo pessoal de José Dirceu, qualidade que o descredencia numa eventual aliança com o PFL e o PSDB.

Já Paulo Delgado pode ser uma saída tanto interna quanto externa. A resistência em relação a ele é dentro da base aliada, sobretudo o PP, PTB e o PL. Chinaglia, por sua vez, conta com o apoio do Palácio do Planalto e, por esse motivo, tem o veto da oposição.

Petistas afirmam que, se prevalecer a tese do veto, a única saída será disputar no voto. "Qualquer saída tem que ser fruto da construção coletiva, a Câmara pode sair mais forte do que entrou e isso só vai acontecer se não houver disputa. O primeiro passo vem se o governo não quiser impor um nome do PT nem a oposição vetar o candidato do PT. Sem imposições e vetos, haverá uma solução", ponderou o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

Uma opção fora do PT mas dentro da base aliada é o deputado Eduardo Campos (PSB-PE). Contra ele, porém, pode pesar o fato de ter sido ministro no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 

Reuters

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