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Crise no Governo
Quarta, 14 de setembro de 2005, 21h23  Atualizada às 22h54
Deputados aprovam cassação de Jefferson
 
Agência Brasil
Jefferson fez discurso de defesa antes da votação
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O Plenário da Câmara dos deputados aprovou por 313 a 156 a cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Ao atingir 257 votos favoráveis, a cassação já havia sido considerada aprovada. Com a cassação, o deputado fica sem os direitos políticos por oito anos e só poderá se eleger em 2015. Os advogados de Jefferson vão recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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A sessão contou com 489 deputados que votaram em regime secreto. Foram registradas 13 abstenções, 2 votos nulos e 5 em branco. A sessão de votação foi presidida pelo vice-presidente da Casa, José Thomaz Nonô, pois o presidente da Casa, Severino Cavalcanti, não compareceu ao Congresso.

Severino, que está envolvido em denúncias de recebimento de propina enquanto era primeiro-secretário da Câmara, decidiu ficar em casa nesta quarta-feira. A decisão foi tomada depois que o empresário Sebastião Buani, que faz a acusação, apresentou a cópia do cheque que comprovaria o pagamento de "mensalinho" a Severino.

A representação contra Jefferson foi apresentada pelo ex-deputado e presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP) por quebra de decoro parlamentar. Jefferson denunciou, sem provas, o esquema do pagamento de mesada pelo PT a deputados em troca de apoio no Congresso, o chamado "mensalão". Nenhum dos acusados por ele confessou envolvimento no esquema.

Jefferson também admitiu o recebimento de dinheiro vindo de "caixa 2" do PT para campanhas do PTB e de vantagens indevidas de empresas privadas e de órgãos públicos.

Discurso
Antes da votação, Roberto Jefferson fez, durante 44 minutos, um discurso emocionado de defesa, mas não acompanhou a votação no plenário da Câmara. Jefferson disse que, se fosse cassado, sairia "de cabeça erguida". "Saio de cabeça erguida. Com o sentimento da missão cumprida. Tirei a roupa do rei! Mostrei ao Brasil quem são esses fariseus", afirmou.

Jefferson não poupou críticas ao governo Lula e ao PT. O deputado se referiu com ironia ao presidente, chamando-o de "rei" e afirmou estar em paz por ter denunciado o esquema de corrupção existente no governo e no Congresso.

O petebista afirmou que o governo Lula é o mais corrupto que ele testemunhou em seus 20 anos de mandato e disse não ter intenção de voltar atrás em suas denúncias. Segundo ele, o PT colocou a culpa em seus adversários "a vida inteira", com faz "todo farsante".

O deputado também alfinetou outros petistas como o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-ministro José Dirceu (PT-SP).
 

Redação Terra