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Crise no Governo
Sexta, 19 de agosto de 2005, 11h24  Atualizada às 08h06
Palocci recebia R$ 50 mil de propina, diz Buratti
 
J.F.Pimenta / Tribuna/Divulgação
Rogério Buratti deixa delegacia após depoimento
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O advogado Rogério Buratti disse nesta sexta-feira, em depoimento à polícia, que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, recebia propina no valor de R$ 50 mil por mês da empreiteira Leão&Leão quando era prefeito da cidade paulista. A informação dada por Buratti, ex-assessor de Palocci na prefeitura, foi divulgada pelo promotor Sebastião Silveira em entrevista ao Jornal do Terra ao sair da delegacia em Ribeirão Preto. Buratti é investigado por intermediar relações corruptas entre prefeituras e empresas do lixo e depõe sob o benefício da delação premiada. Com isso, ele teria a redução da pena em troca de informações.

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Através de nota oficial Palocci negou com veemência a veracidade da informação. O ministro afirmou que recebeu contribuições em sua última campanha para a prefeitura de Ribeirão Preto da empresa Leão&Leão e de outras empresas, mas que o fato está devidamente registrado na prestação de contas levada ao Tribunal Regional Eleitoral.

O promotor Sebastião Silveira explicou que a propina ia diretamente para o diretório do PT sob cuidados do ex-tesoureiro Delúbio Soares a pedido de Antônio Palocci. A propina teria o objetivo de manter o contrato de coleta de lixo e limpeza pública com a prefeitura.

Segundo Rogério Buratti, o ex-secretário de fazenda de Ribeirão Preto Ralf Barquete era o encarregado de recolher em dinheiro vivo a quantia mensalmente na empreiteira e entregar em SP para Delúbio Soares. O dinheiro vinha de contas nos bancos Bradesco e Santander.

O esquema começou durante a segunda gestão de Palocci em Ribeirão Preto e continuou na gestão de Gilberto Maggioni. Palocci foi eleito prefeito de Ribeirão Preto pela segunda vez em 2000, cargo a que renunciou em 2002 para assumir o Ministério da Fazenda.

De acordo com o delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antonio Valencize, que interrogou Buratti, as acusações feitas pelo advogado podem ser comprovadas através de documentos.

Ao deixar a delegacia, Buratti afirmou em uma rápida entrevista que se sente mais "limpo e tranqüilo" após as denúncias. Buratti disse que os dois dias em que esteve preso o fizeram refletir e perceber que estava isolado. "Eu já estava sozinho há bastante tempo", afirma. Ao ser perguntado se Palocci o teria abandonado, Buratti virou as costas e foi embora.

Após o depoimento, a Justiça suspendeu a prisão temporária do advogado a pedido dos promotores do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco).

Rogério Buratti está sob investigação por ter sido acusado de pedir propina à empresa GTech, além de supostamente estar envolvido com fraudes em licitações da prefeitura de Riberão Preto durante a gestão de Palocci. O advogado foi preso na quarta-feira.
 

Redação Terra