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Crise no Governo
Sábado, 13 de agosto de 2005, 11h10 
Lula é completamente despreparado, diz ACM Neto
 
Fabiana Leal
 
Reinaldo Marques/Terra
O deputado ACM Neto (PFL-BA)
O deputado ACM Neto (PFL-BA)
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O jovem deputado federal Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, o ACM Neto (PFL-BA), 26 anos, tem marcado presença constante nas sessões da CPI Mista dos Correios. Para o parlamentar, Lula é completamente despreparado para ocupar o cargo de presidente da República.

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» Entrevista: ACM Neto fora do Congresso

Eleito deputado federal em 2002 pela Bahia, ACM Neto obteve 400.275 votos, sendo o deputado mais votado da história da Bahia, do Norte e Nordeste do Brasil e do PFL. Empolgado por ter sido o 4º mais votado do Brasil, ACM Neto admite que será candidato no próximo pleito. A beleza do rapaz também foi "premiada" no Congresso. Ele foi escolhido o parlamentar mais bonito da CPI dos Correios - eleição feita por um site para público homossexual.

Firme e determinado nas indagações aos depoentes, tem fala mansa e cautelosa quando está longe do campo político. O filho de Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Junior e Maria do Rosário Vianna de Magalhães não hesita na hora de falar na mulher ideal: "a minha". Ele se refere à Lídia, 25 anos. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, ACM Neto afirma que não é festeiro. Seu refúgio favorito é uma pequena propriedade da família no interior da Bahia.

Confira abaixo a entrevista com ACM Neto:

O brasileiro acredita nos políticos?
A maioria dos brasileiros desacredita e sente vergonha dos seus representantes.

O que deve ser feito para contornar essa descrença?
Dar bons exemplos, através de posição firme e afirmativa, nas quais alguns princípios devem ficar bem claros. Só assim poderemos mostrar que há políticos sérios e comprometidos que podem conduzir instituições para o futuro.

Em poucas palavras, como definiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
(Depois de uma longa pausa) Eu definiria Lula como inegavelmente carismático, porém completamente despreparado para ocupar o cargo de presidente da República.

E o seu avô Antônio Carlos Magalhães?
Um homem público experiente, que tem um amor muito grande pela Bahia e que foi o responsável pela transformação do Estado. É sem dúvida nenhuma uma bússola para mim.

O brasileiro vota na pessoa ou no partido?
Na pessoa.

O que leva um brasileiro a votar em uma pessoa e não em outra?
Depende muito. Isso varia. Você pode optar pelo apelo dos meios econômicos - quando a opção é menos nobre - e o eleitor escolhe o candidato por aquilo que recebe. Ou pelo extremo positivo, quando o eleitor se identifica com as propostas, com a atuação política do candidato. Portanto, faz uma escolha ideológica. A escolha vai do pólo negativo fisiológico (quando o eleitor se vende) ao pólo positivo ideológico.

Um político jovem como você, acredita que o brasileiro ainda luta por grandes causas, como tínhamos no passado?
Cada vez mais o brasileiro foca a sua atenção em coisas muito concretas. A medida que o tempo passa, se perde um pouco a utopia. Porém, eu ainda vejo que nós vivemos em um País cuja população acredita sim em grandes causas. O brasileiro é um povo diferente por ser um povo tolerante e por não perder a esperança. No entanto, a luta por grandes causas está em um processo de regressão diária, devido ao choque de realismo que cada um recebe.

O que o faria desistir da vida pública?
Nunca pensei nisso, mas talvez uma grande frustração ou injustiça.

E quem o faria largar da política? Um pedido feminino talvez?
Alguém não. Só eu mesmo, fruto de um convencimento pessoal meu. A porta de saída é a mesma porta de entrada. Eu entrei porque quis, se tiver que sair, também vai ser assim.

Como você define um político?
Vamos tentar resumir ao máximo, focando o que eu acho mais importante. Acima de qualquer coisa tem que possuir espírito público. E isso eu acho que falta muito aos políticos. É só com esse espírito público, que ele age de forma correta e fica imune ao mar de coisas erradas que vem acontecendo.

É possível uma pessoa pública ter vida particular?
É claro que sim. Com certeza muito mais limitado do que a pessoa não-pública.

Quem é o público votante de ACM Neto?
Eu acho que são pessoas que vão da classe "A a Z". Não há uma distinção de classe econômica, faixa etária ou de segmentos. Eu tenho um trabalho estadual na Bahia.

E o público homossexual?
Ah...isso foi uma enquete feita por um site voltado ao público homossexual e que me escolheu o homem mais charmoso da CPI dos Correios. Espero que isso se reverta em votos (risos).

Que pedido político ACM Neto já fez a ACM?
Vários conselhos. Eu me aconselho com ele permanentemente. É uma coisa tão freqüente, tão habitual, que fica difícil destacar um ponto específico.

E um pedido de cunho particular?
Sempre peço para ele cuidar da saúde. Não que ele tenha algum problema, mas é coisa bem de neto.

O seu avô já precisou renunciar uma vez. O que representou para você ver esta cena ao seu lado?
Naquele momento, a leitura que eu fiz é que ele estava passando por um processo injusto. Os senadores não souberam reconhecer que ele foi importante como presidente da Casa. Entretanto, isso é coisa do passado e já foi superado. (ACM renunciou em 2001 da presidência do Senado).

O que acha da denominação de "menudo" dada a você e a outros parlamentares da CPI dos Correios?
Na verdade foi uma forma lúdica de evidenciar o destaque que os novos parlamentares estão tendo. Nesse processo de depuração estão surgindo novos valores. São pessoas que despontam agora e certamente vão liderar os processos políticos nos próximos anos.

E o "apelido" mexeu com o ego?
Não mexe com o ego. Temos que, acima de tudo, manter a humildade. Quem disser que não fica satisfeito está mentindo. No entanto, na política tudo é muito efêmero, um dia você está em evidência e no outro não. O bom político tem que aprender a lidar com isso com tranqüilidade.

A sua bandeira estratégica é: "Defendo a educação pública, gratuita, universal e de qualidade, que seja a mola propulsora do crescimento intelectual da sociedade baiana e brasileira. O patrimônio intelectual do povo é o bem mais valioso de uma nação". Desde quando você a defende?
Antes de ser deputado federal, trabalhei durante três anos e meio como assessor da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Foi a partir desse contato direto com o segmento educacional que eu comecei a cultivar essa bandeira.

Como o governo federal tem lidado com a educação no País?
Acho que o governo federal vem agindo de forma precária na educação. Não se vê o presidente falar em educação. Ele não deve se quer despachar com o ministro da pasta.

Qual é a solução para a educação pública no Brasil? Como sair da teoria para colocar um plano em prática?
É uma coisa bem complexa. Há medidas possíveis para o ensino fundamental, médio e universitário. Com a soma dessas providências pode-se ter um produto de ações concretas que podem mudar o panorama da educação no País.

O que você já fez de concreto em relação à sua bandeira estratégica?
Apresentei três projetos. Tenho feito um esforço para fazer eles caminharem na Câmara. É um processo lento e penoso para que esses projetos avancem, pois contrariam interesses fiscais do governo.

O que realmente faria a diferença para o Brasil?
ACM Neto acredita que um nível maior de conscientização de cada pessoa no exercício dos seus deveres faria realmente a diferença para o Brasil
 

Redação Terra