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O líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR), teria ameaçado contar "todas as conversas" que supostamente teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o escândalo do "mensalão", caso venha a perder o posto e o próprio mandato no Congresso por conta das denúncias de que recebeu dinheiro de caixa dois do empresário Marcos Valério. A revolta do parlamentar teria ocorrido durante reunião realizada no último dia 26 de julho, no seu apartamento em Brasília, na companhia do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o líder do PL Sandro Mabel (GO) e outras lideranças de partidos aliados do governo - todos envolvidos nas denúncias.
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De acordo com reportagem publicada na última edição da revista Veja, Janene na época desconfiava que Lula estava manobrando para retirá-lo da liderança. Indignado, no meio do encontro, que se destinaria a traçar estratégias de defesa, o pepebista teria subido em um sofá e, de dedo em riste, feito o aviso: "Avisa àquele f.d.p. que, se eu perder a liderança, e eu não estou nem falando do meu mandato, mas só da liderança, eu vou contar tudo", disse, segundo a Veja.
Mabel, também alvo das denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), supostamente teve iniciativa semelhante, afirmando que também revelaria "tudo o que sabe". "Vou contar todas as conversas que tive com ele sobre esse caso", teria ameaçado, perante Chinaglia.
Esta seria a primeira oportunidade em que o presidente da República teria sido mencionado como negociador direto dos pagamentos de "mesada" a parlamentares em troca de apoio ao governo nas votações no Congresso. Comprovadamente, Janene sacou pelo menos R$ 4,1 milhões de Valério em conta do Banco Rural, enquanto Mabel é acusado de de ter distribuído parte dos R$ 10 milhões supostamente prometidos pelo PT ao ex-deputado do PL Valdemar Costa Neto, o qual renunciou ao mandato para evitar uma eventual cassação.
Em entrevista concedida à revista Época, Costa Neto declarou ter negociado com o PT, com o conhecimento de Lula, o pagamento dos R$ 10 milhões para fechar a aliança que venceu as eleições de 2002. O vice de Lula, José Alencar, é do PL.
Também teriam participado do encontro o próprio Costa Neto, na época ainda detentor do mandato de deputado federal, bem como os deputados Nelson Meurer (PP-PR) e (PP-SC), e o líder licenciado do PMDB, José Borba (PR).
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