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Crise no Governo
Sexta, 12 de agosto de 2005, 08h37  Atualizada às 15h57
Lula sabia do preço do PL, afirma Costa Neto
 
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A revista Época que chega às bancas hoje traz uma entrevista bombástica de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que renunciou ao mandato de deputado federal na semana passada para escapar da cassação. Costa Neto disse à revista que Lula sabia que o apoio do PL à candidatura presidencial dele em 2002 custara R$ 10 milhões. Segundo a revista, a versão de Costa Neto tem algumas contradições, vários pontos obscuros, mas lança luzes sobre como Marcos Valério operava o caixa dois do PT.

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Costa Neto renunciou depois de ser acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de receber "mensalão" para defender o governo Lula. "Recebi dinheiro, sim, mas não os R$ 10,8 milhões que diz o Marcos Valério. Foram R$ 6,5 milhões do caixa dois da campanha de Lula", revelou ele à Época. O dinheiro viria de um acordo, fechado em junho de 2002, em que José Dirceu e Delúbio Soares prometeram R$ 10 milhões em troca do apoio do PL. "O Lula estava na sala ao lado. Ele sabia que estávamos negociando números", contou ele.

Segundo o presidente do do PL, aligação dele com o PT começou nas negociações para fechar o apoio a Lula em 2002, com José Alencar, do PL, como vice. "Tivemos muitas reuniões, em Brasília, na casa do José Dirceu. Sempre participavam o (deputado) João Paulo (PT), quase sempre o (ex-secretário-geral do PT) Silvio Pereira, sempre o (ex-tesoureiro do PT) Delúbio Soares, além do José Alencar. Estava tudo indo bem, até que a Justiça aprovou a verticalização (permitindo apenas as coligações com os aliados nacionais). Daí fui ao Zé Dirceu e avisei: 'Tudo mudou'".

De acordo com Costa Neto, o PL precisava ter 5% dos votos para ter as verbas do fundo partidário. "Com a verticalização, as nossas chances de chegar a 5% eram pequenas, porque só poderíamos nos coligar com o PT. Falei para o Zé: 'Para isso, preciso de uma estrutura muito maior para segurar meu pessoal'. Ele falou: 'Mas quanto?'. Eu falei: 'R$ 15 milhões, R$ 20 milhões'".

O acordo
Segundo Costa Noto foi uma discussão muito grande apra fechar o acordo. "No dia 18 de junho de 2002, tive uma reunião com o Dirceu. Ele disse que não tinha jeito de fazer o aporte de dinheiro. Eu respondi: 'Então me libera (para fazer outra coligação)'. Ele respondeu: 'Está liberado'. Já estávamos fazendo uma nota conjunta dizendo que a coligação PT-PL não ia sair quando me liga o Zé Alencar. Eu contei a ele que não conseguimos chegar a um número. 'Não vou prejudicar nosso pessoal todo em troca de uma aliança', falei. O Zé Alencar disse para eu não assinar a nota conjunta. Daí a 15 minutos, ele ligou e disse que o Lula viria no dia seguinte a Brasília resolver o assunto".

Segundo Costa Neto, ele procurou Dirceu para reclamar de Delúbio, que pagava os R$ 10 milhões "a conta-gotas". Um certo dia Dirceu teria dito para o presidente do PL ficar tranqüilo porque que Delúbio iria arrumar tudo.

"O Lula, o José Dirceu e o Delúbio faziam parte da mesma família. Não dá para crucificar só um", disse ele, na sala da presidência do PL em Brasília, decorada com uma reprodução do Cristo Crucificado de Salvador Dalí.


 

Redação Terra