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Crise no Governo
Sexta, 12 de agosto de 2005, 06h05  Atualizada às 09h17
PFL articula pedido de impeachment de Lula
 
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O depoimento do publicitário Duda à CPI do Mensalão nesta quinta-feira, no qual afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi financiada por dinheiro de caixa dois do empresário Marcos Valério, posteriormente enviado a um paraíso fiscal, levou os dois principais partidos de oposição - PSDB e PFL - a iniciarem consultas sobre a viabilidade de encaminhar processo de impeachment contra o chefe de Estado.

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De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a cúpula do PFL já acionou os advogados do partido e aguarda pelo parecer jurídico, que deve estar concluído até a próxima segunda-feira. Já o PSDB realizou reunião entre suas principais lideranças e concluiu que, atualmente, não há condições políticas de votar a cassação de Lula.

Na avaliação do líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), no momento não há pressão popular para dar respaldo a um eventual processo de impeachment. Mas seu o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (SP), já considera a gestão petista praticamente encerrada por conta das "evidências".

"O governo Lula acabou. Perdeu a autoridade moral para comandar o País", afirmou.

Repetindo discurso da própria esquerda do PT, parlamentares oposicionistas - dentre eles Virgílio - defendem que o presidente da República tem de dar explicações perante a opinião publica e assumir sua suposta parcela de culpa. "O presidente Lula deve ir à TV e interromper o ciclo de mentiras, de que tem participado também. Tem de dizer onde começa e onde termina sua responsabilidade", declara o tucano. Lula, de fato, fará um pronunciamento à nação às 9h desta sexta-feira, no qual deverá se dizer "traído" por colegas de partido, que teriam, sem lhe informar, armado o esquema de captação de recursos não declarados à Justiça Eleitoral usando meios escusos.

PT articula defesa
O presidente da CPI dos Correios, senador petista Delcídio Amaral (MS), acredita que as revelações de Duda Mendonça não são suficientes para abrir processo de impedimento contra Lula, avaliando que uma iniciativa como essa seria "precipitada" no momento atual. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral seguem a mesma linha e dizem considerar "difícil" que o presidente enfrente um eventual pedido de impeachment no Senado, sustentando que os partidos não teriam interesse nisso e não haveria evidências suficientes para incriminar o chefe de Estado.

Porém, temendo o pior, dirigentes do PT já começam a organizar uma estratégia de ação para preservar Lula e seu mandato. O presidente interino petista, Tarso Genro, reuniu integrantes da Executiva Nacional e falou com lideranças populares nesta quinta-feira a fim de articular atos favoráveis ao governo Lula. Também aproveitou para declarar publicamente que o depoimento de Mendonça não atingiu o presidente diretamente. Uma das primeiras ofensivas pró-Lula deve ocorrer na próxima terça-feira, quando a União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras entidades realizam, em Brasília, uma manifestação contra a corrupção que deverá se tornar um ato anti-impeachment.

Pelo menos 20 entidades ligadas a movimentos sociais também se comprometeram a realizar manifestações públicas favoráveis a Lula, apesar de a maioria reclamar do fato de o presidente da República ter se afastado das suas causas originais, principalmente por conta da atual política econômica, a qual prioriza o combate à inflação às custas de juros altos.

Na manifestação marcada para terça-feira, na capital federal, a Executiva petista deve pedir uma audiência com Lula, juntamente com líderes de movimentos sociais.
 

Redação Terra