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Crise no Governo
Quinta, 11 de agosto de 2005, 23h16 
Revelações de Duda complicam situações de Lula e PT
 
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Ao admitir ter recebido pagamentos da campanha eleitoral petista de 2002 com dinheiro de caixa dois, por meio do empresário Marcos Valério de Souza em paraíso fiscal, o publicitário Duda Mendonça agravou a situação do PT e pode ter atingido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de uma forma que até agora não tinha acontecido.

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Apontado como o principal responsável pela campanha vitoriosa de Lula, Duda disse à CPI dos Correios que recebeu dinheiro de caixa dois para pagar o pacote fechado das campanhas do PT naquele ano. Ele procurou, no entanto, separar as despesas do presidente desses recursos.

"Claramente era dinheiro de caixa 2, mas nós não tínhamos outra opção para receber. Ou recebia isso ou não recebia", disse Duda no depoimento, que durou cerca de nove horas e contou com a presença de sua sócia Zilmar Fernandes da Silveira. "Eu acredito que a campanha do presidente Lula foi toda paga com dinheiro oficial", ressalvou.

Segundo Duda, os recursos foram depositados em uma conta aberta por sua agência no exterior, por determinação Valério, que é acusado de ser operador do suposto esquema do "mensalão".

Ao explicar como fechou o pacote das campanhas de 2002, Duda argumentou que havia distinções e, possivelmente, contratos separados. O pacote, que incluía as campanhas estaduais e ao Senado no Rio e em São Paulo, teve um custo total de 25 milhões de reais.

"É um pacote todo, mas eu acho que tem contratos separados, eu posso verificar", disse o publicitário. A campanha do senador Aloizio Mercadante (SP) também foi isentada pelo publicitário de ter recebido dinheiro de caixa dois. "É possível dividir, faturar para cada campanha, é possível comprovar o que veio da campanha do presidente Lula."

Entre os recursos recebidos de Valério, Duda disse que o equivalente a cerca de R$ 10,5 milhões foram depositados em conta nas Bahamas, um paraíso fiscal.

Segundo Zilmar, outros pagamentos foram feitos por meio de retiradas de uma agência do Banco Rural em São Paulo e por meio do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Foi Delúbio quem a encaminhou para Valério.

Duda afirmou que o PT ainda lhe deve cerca de 14 milhões de reais, já referentes às campanhas das eleições do ano passado. "Não estou preocupado com isso (a dívida), se o PT vai ou não pagar. O PT está passando por um momento delicado", disse.

Lula
Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), as revelações de Duda podem dar um novo rumo às investigações da CPI e obrigam Lula a se explicar ao país. "O depoimento de vossa excelência atinge o presidente. E atinge de uma forma tal: dinheiro lá fora, dinheiro vindo de fora colocado lá fora, dinheiro sem nota, dinheiro sem recibo e dinheiro inclusive da campanha do presidente", disse Simon a Duda, durante a sessão da CPI.

Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse abertamente que é preciso se discutir a possibilidade de impeachment do presidente. "Certamente a alternativa do impeachment tem que ser discutida", disse o tucano. "Não estou dizendo que essa é a melhor saída para o país, mas (...) a crise se agudizou de tal forma que é possível até que se conclua que essa possa ser a melhor alternativa."

Duda, por sua vez, procurou preservar o presidente, ainda que afirmasse que esse não era seu objetivo. "Não estou preocupado com defender o presidente Lula, estou aqui preocupado com falar a verdade."

O publicitário fez questão de dizer que considera Lula uma pessoa "de bem" e que "vai ter orgulho de ter feito a campanha dele".

Mas preveniu: "Se ficar provado que este presidente não é o presidente do meu sonho, eu nunca mais faço campanha política."

Dizendo ser autor dos pronunciamentos do presidente, Duda disse que agora daria a orientação para que ele dissesse a verdade. Admitiu, porém, que não tem sido frequente o presidente chamá-lo nos últimos tempos.

Conta nas Bahamas
Segundo Duda, foi Valério quem apontou os pagamentos no exterior como forma de saldar a dívida do PT com ele. Para isso, o publicitário abriu conta nas Bahamas, paraíso fiscal. Mesmo admitindo a conta no exterior, afirmou: "Não acho que cometi um crime moral, eu acho que cometi um deslize fiscal."

Duda entregou aos integrantes da CPI faxes mostrando os repasses de dinheiro de contas de bancos fora do país para a conta nas Bahamas. Valério negou, em depoimento concomitante na CPI do Mensalão, que determinou a abertura dessa conta no exterior. "É 100% mentira", retrucou Duda.

Para o PT, as revelações complicam ainda mais sua situação, já delicada com a confissão de Delúbio da utilização de caixa dois. A Lei Orgânica dos Partidos proíbe a utilização de recursos provenientes do exterior, por qualquer meio.

Choro
Duda Mendonça se apresentou espontaneamente à comissão, que havia marcado para hoje o depoimento de Zilmar Fernandes, sua sócia. Na véspera, ele prestou depoimento à Polícia Federal de Salvador, onde deu versão similar à da CPI. "Eu comecei a ver que o Marcos Valério começou a criar uma polêmica comigo que só interessava a ele. O meu dinheiro é um dinheiro honesto, fruto de um trabalho que o Brasil inteiro sabe que eu fiz", afirmou Duda ao justificar porque compareceu à CPI.

Na chegada à sala da CPI, Duda foi abraçado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e em seguida pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

O publicitário chorou algumas vezes no depoimento, quase sempre quando mencionava a família. "A única coisa que me preocupa é minha mulher, minha irmã e meus filhos que estão assistindo, porque tenho que passar para eles o compromisso com a verdade."

No governo federal, sua empresa detém as contas da Presidência da República, da Petrobras e do Ministério da Saúde.
 

Reuters

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