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Crise no Governo
Terça, 9 de agosto de 2005, 12h23  Atualizada às 05h14
Dirceu sabia de empréstimos, diz Valério
 
Agência Brasil
Marcos Valério depõe na CPI do Mensalão
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Em depoimento à CPI do Mensalão, Marcos Valério voltou a dizer que o ex-ministro José Dirceu sabia dos empréstimos feitos por suas empresas ao PT, mas esta informação lhe foi passada pelo então tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Segundo Valério, "Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) cansou de me falar que Dirceu sabia das operações". Referindo-se ao antigo homem forte do Palácio do Planalto, o empesário disse que "não morre de amores por ele". Questionado se também considera o petista arrogante, como declarou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em outro depoimento, Marcos Valério afirmou que concorda "em gênero, número e grau" com a afirmativa.

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"Se o sr. (relator) me perguntar se o aval do José Dirceu foi dado a mim, eu digo que não, mas foi confirmado através do Delúbio", afirmou o empresário.

Valério disse que tinha medo de ser prejudicado pelo PT se recusasse a operação e também pediu desculpas ao Brasil por não ter falado abertamente na CPI dos Correios, em seu primeiro depoimento, e por ter omitido sobre os empréstimos que foram concedidos por suas empresas ao PT.

"O PT me deve o valor corrigido que os bancos estão me conbrando, R$ 100 milhões. Eu já entrei com pedido judicial para apurar o valor real para que eu negocie ou entre na Justiça contra o PT", acrescentou.

Valério disse ainda que as garantias para os empréstimos dadas pelo PT foram a arrecadação anual de R$ 50 milhões do partido e a previsão de que ela iria dobrar com os novos petistas que ocupariam cargos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Não era doação, não era em troca de contas (de publicidade)".

Valério afirma que não sente prazer em ter emprestado dinheiro ao PT. Ele diz que se pudesse voltar atrás não faria de novo, porque custou muito caro para sua vida pessoal e para sua família. O empresário disse que não vai inventar uma história que não existe. Segundo Valério, "o que ele viveu ele vai responder com toda a verdade". Marcos Valério afirmou que nunca deu nenhum centavo a nenhum ministro, a nenhum presidente e a nenhum parlamentar.

"Destruíram minha vida"
Marcos Valério disse que perdeu todas as contas publicitárias com o governo federal. "José Dirceu e Delúbio Soares destruíram a minha vida", disse. As empresas de publicidade do empresário tinham as contas dos Correios, do Banco do Brasil, da Eletronorte e dos ministérios dos Esportes e do Trabalho.

Marcos Valério se disse "inimigo" de José Dirceu. Questionado sobre como classificaria a relação anterior com o deputado, o empresário informou que Dirceu "era apenas um conhecido". Em vários momentos, ele acusou Dirceu de ser arrogante.

Recursos em eleição de 1998
O empresário Marcos Valério entregou ao relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), uma lista de 79 pessoas que teriam feito saques nas contas de suas empresas durante a campanha eleitoral de 1998. Nesse ano, conforme documentos divulgados pela imprensa, as empresas de Valério financiaram aliados do então governador de Minas, Eduardo Azeredo, candidato à reeleição.

Questionado por Abi-Ackel se teria documento semelhante sobre a campanha de 2002, o empresário, que presta depoimento neste momento na CPI, garantiu que suas empresas não participaram dessa disputa. Segundo ele, as pessoas que efetuaram saques após esse período utilizaram os recursos para pagar dívidas.

Usiminas
O empresário Marcos Valério desmentiu o deputado federal Roberto Brant (PFL-MG). Ao aparecer como um dos beneficiários de depósito bancário de Marcos Valério, o deputado disse que se tratava de doação de campanha da empresa Usiminas. Para não constar legalmente da prestação de contas, o dinheiro teria sido depositado por meio da agência de publicidade SMP&B. Valério negou e disse que o dinheiro não era doação da Usiminas, e sim da SMP&B. Na época, Brant era candidato à prefeitura de Belo Horizonte.

"Nós já tivemos relacionamento com o Robert Brant em várias campanhas. O cheque que chegou a ele não foi da Usiminas, foi da SMP&B", garantiu Valério. Valério também informou que as suas empresas não trabalharam nas campanhas eleitorais de 2000 e 2002, embora tenham feito pequenas "pequenas doações" a campanhas de deputados, no valor de R$ 300 mil.

No início do depoimento, Valério prometeu fazer uma declaração de tudo o que ele viveu no período de 2003 a 2005. "Não vou inventar, não vou denunciar. Eu vou falar estritamente aquilo que eu vi e o que eu assisti". Também negou conhecer o relator da CPI, Ibrahim Abi-Ackel. Valério é acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o operador do mensalão.

Marcos Valério depõe na condição de investigado, mantendo o habeas-corpus que obteve no Supremo Tribunal Federal (STF), medida que impede que seja decretada sua prisão durante o depoimento.
 

Redação Terra