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Crise no Governo
Terça, 2 de agosto de 2005, 20h56  Atualizada às 08h17
Planalto e Portugal Telecom negam propina
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou por meio da Secretaria de Imprensa da Presidência da República que tenha "avalizado" reunião entre emissários do PT e do PTB com a Portugal Telecom, em Lisboa. A acusação de supostamente facilitar a compra da Telemig em troca de dinheiro para quitar dívidas foi feita ontem pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), durante o depoimento do deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética da Câmara. O grupo Portugal Telecom, multinacional que possui participação em empresas de comunicação no Brasil, divulgou nota negando as acusações.

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Segundo nota divulgada ontem à noite, Lula se reuniu com representantes da empresa, no Palácio do Planalto, com o objetivo de tomar ciência dos investimentos da mesma no Brasil. A negativa de Lula fez coro a comunicado da própria Portugal Telecom, que desmentiu qualquer espécie de "financiamento" a partidos políticos no Brasil, e a declarações do ex-ministro e deputado federal José Dirceu (PT-SP), apontado como intermediador da suposta "missão". Dirceu defendeu Lula e a si próprio durante depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, também na terça-feira.

A agenda oficial de Lula, disponível na Internet, indica dois encontros, realizados em 21 de janeiro de 2003 e 19 de outubro de 2004. A mesma nota divulgada pelo Planalto foi lida pelo ex-ministro por Dirceu durante seu depoimento na Câmara.

A assessoria do presidente da República afirma que o então ministro das Comunicações, Miro Teixeira, hoje deputado federal, acompanhou a primeira reunião, enquanto Eunício Oliveira, ex-titular da mesma pasta, esteve presente à segunda, além de Luiz Fernando Furlan, do Ministério do Desenvolvimento.

"Em nenhum momento foi tratado qualquer assunto que não se referisse aos empreendimentos da companhia portuguesa no país", afirmou a nota.

Imprensa
Mais cedo nesta terça-feira, Lula acusou a imprensa de privilegiar as "coisas ruins" em detrimento das ações alegadamente positivas do governo federal, citando o depoimento do "companheiro" José Dirceu.

O comentário do presidente aconteceu quando ele chegava para a solenidade de instalação do Conselho Nacional da Juventude, no Palácio do Planalto. "Se depender da ação deste governo e de cada ministério envolvido nessa política da juventude, vocês podem ter certeza que em quatro anos nós vamos fazer algumas coisas que não foram feitas em 10 anos", disse o presidente em seu discurso durante a cerimônia.

O presidente procurou listar dados positivos de sua administração, incluindo a reforma agrária. "Se analisarmos só a reforma agrária, nós saímos de R$ 850 milhões para praticamente R$ 1,6 bilhão e ainda falta um ano e meio para terminar o mandato", disse Lula, que anuncia na quarta-feira o Plano Safra de Agricultura Familiar 2005/2006.

Com o depoimento do ex-ministro-chefe da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética da Câmara, nesta terça-feira, o presidente reclamou que as boas notícias acabam sempre ofuscadas pelas negativas.

"Possivelmente, o destaque que esse ato terá na imprensa é quase nenhum, pois está acontecendo o processo da Comissão de Ética, o companheiro José Dirceu está lá e certamente, como minha mãe dizia, coisa ruim sempre tem mais privilégio do que coisa boa no noticiário do mundo inteiro, não apenas no Brasil", disse o presidente. De acordo com a denúncia de Roberto Jefferson, Dirceu teria autorizado representantes do PT e do PTB a negociarem com a presidência da empresa Portugal Telecom recursos para acertar dívidas dos dois partidos. Jefferson afirmou que dois integrantes dos partidos teriam viajado a Portugal no início deste ano.

"Vossa excelência (Dirceu) fez uma aproximação com o grupo da Portugal Telecom com o presidente Lula (...). Depois autorizou o PTB, quer dizer a mim, presidente do PTB, e ao PT que mandássemos emissários a Portugal, em nome do PT, em nome do PTB", disse Jefferson. "Para que nós negociássemos de lá... um acordo que pusesse em dia as contas do PTB e do PT", completou Jefferson.

José Dirceu negou as acusações. "Não é verdade, nunca tive nenhuma relação com a Portugal Telecom. Quero negar que autorizei ou tive qualquer relação com a Portugal Telecom. Trata-se de uma mentira", disse. Dirceu alegou ainda que Jefferson deve apresentar provas sobre tais acusações.

Segundo o colunista Ricardo Noblat, os representantes do PT e do PTB que viajaram a Portugal para o encontro com a Telecom foram Marcos Valério e Emerson Palmieri, respectivamente. Noblat acrescenta que o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, também participou da viagem.

No comunicado, o grupo acrescenta: "No Brasil, a Portugal Telecom, por força dos investimentos que possui no país, mantém contatos institucionais com o governo, autoridades políticas, meios empresarial, social e cultural."

Governo se pronuncia
A Secretaria de Imprensa e Porta-Voz da Presidência da República divulgou nota afirmando que "em nenhum momento" o presidente da República tratou com a empresa Portugal Telecom "qualquer assunto que não se referisse aos empreendimentos da companhia portuguesa no Brasil".

A nota ressalta que, em seu governo, o presidente Lula recebeu a Portugal Telecom em dois momentos: em janeiro de 2003 e em outubro de 2004. E acrescenta que as audiências "foram solicitadas por aquela empresa para comunicar seus novos investimentos no Brasil".
 

Redação Terra