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Crise no Governo
Terça, 2 de agosto de 2005, 15h36 
Jefferson envolve Dirceu e Lula em nova denúncia
 
Agência Brasil
José Dirceu depõe no Conselho de Ética
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Durante o depoimento do ex-ministro e deputado federal José Dirceu (PT-SP) ao Conselho de Ética da Câmara, nesta terça-feira, o deputado Roberto Jefferson afirmou que Dirceu autorizou representantes do PT e do PTB a negociarem recursos com a presidência da empresa Portugal Telecom para acertar dívidas dos dois partidos. O petebista, inclusive, envolveu o presidente Luiz Inácio Lula pela primeira vez em suas denúncias, declarando que o chefe de Estado "avalizou" a referida reunião.

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Segundo Jefferson, dois integrantes dos partidos teriam viajado a Portugal no início deste ano. Dirceu negou veemente as novas denúncias e pediu provas para Jefferson.

O deputado afirmou que foi Dirceu quem "treinou" o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira. Jefferson afirmou ainda que, se Dirceu nega conhecer o esquema de "mensalão", todos os jornais e todas as revistas mentem. "O povo pré-julga o ministro José Dirceu", disse Jefferson.

Com relação ao acordo para evitar sua cassação no Congresso, Jefferson afirmou que não partiu dele nenhuma proposta para sustar qualquer processo. "O que vazou foi a decisão do PTB de trazer representações contra deputados envolvidos no saque das contas de Marcos Valério", afirma o deputado Roberto Jefferson.

Dirceu responde
"Quero negar que autorizei ou tive qualquer relação com a Portugal Telecom. Trata-se de uma mentira", disse José Dirceu. "Eu não mantive com Marcos Valério nenhuma relação sobre os empréstimos. Nunca tratei com ele de assuntos dessa natureza", reiterou.

Dirceu comentou a arrogância de Jefferson ao questioná-lo e afirmou que nunca foi arrogante quando era ministro. Os presentes na sala da Comissão vaiaram o deputado.

Estratégia ofensiva
O deputado petebista usou a tática das frases de efeito e da repetição de ironias. Disse quatro vezes que o antes "todo poderoso" e "arrogante" José Dirceu, apresentava-se, agora, como um "humilde", "inocente" parlamentar.

O único momento em que houve manifestação da platéia - composta por deputados, assessores e jornalistas - foi quando Dirceu disse não ser "arrogante", ao contrário da fama que conquistou nos 30 meses como ministro.

"Vossa Excelência amedronta as pessoas e muitas pessoas temem esse enfrentamento. Eu não, pelo contrário. Aliás, tenho medo, porque Vossa Excelência provoca em mim os instintos mais primitivos", retrucou Jefferson.

Acusação a Jefferson
Além de ter negado todas as denúncias de Jefferson, Dirceu também encontrou espaço para atacar o ex-aliado e procurou, o tempo todo, lembrar que o acusado era o petebista, não ele.

"O deputado Roberto Jefferson me fez muitas acusações, mas teve todas as condições de denunciar o mensalão. Ele quer transferir a prevaricação dele para nós", disse Dirceu.

"Não posso aceitar que o deputado Roberto Jefferson diga que sou chefe de uma quadrilha. Virei bandido agora? Isso não é possível. Isso é uma coisa estarrecedora", completou.

Dirceu afirmou que Jefferson quebrou a confiança que Lula e o governo tinham nele. "Não sei por que ele fez isso comigo", questionou Dirceu.

Jefferson queria cargos
Dirceu também acusou o deputado Roberto Jefferson de ter rompido com o governo por não ter obtido os cargos que queria. "O que ele não diz é por que se desentendeu conosco. Porque queria capturar vários orgãos públicos e nós não permitimos." José Dirceu afirmou que irá processar o deputado Roberto Jefferson por calúnia assim que ele deixar de ser deputado, pois, por enquanto, a imunidade parlamentar o protege, segundo orientações que recebeu da Jurisprudência.

Dirceu nega comando do "mensalão" e culpa PT
Demonstrando segurança e tranqüilidade, Dirceu negou as acusações de comandar o "mensalão" e não poupou críticas aos dirigentes do Partido dos Trabalhadores. Dirceu também foi acusado por Jefferson de autorizar representantes do PT e do PTB a negociarem recursos com a presidência da empresa Portugal Telecom para acertar dívidas dos dois partidos.

Dirceu, que depôs no Conselho de Ética da Câmara por mais de oito horas, afirmou que não renunciará ao mandato parlamentar. Dirceu criticou a imprensa que, segundo ele, tem noticiado informações a seu respeito sem consultá-lo. "A única coisa que eu quero é justiça. Não posso aceitar ser transformado em chefe de quadrilha", afirmou.

Ao defender o PT, que já presidiu por três vezes, Dirceu não poupou os dirigentes da sigla e principalmente o ex-tesoureiro Delúbio Soares pela responsabilidade nos empréstimos irregulares que assumiu junto ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para o partido. Ele disse que assume todos os seus atos como ministro-chefe da Casa Civil e como deputado, mas não os atos da Executiva do PT.

"Não há partido mais democrático, mais pluralista que o PT. Eu dirigi o PT com as bases. O PT é produto da própria luta das classes do Brasil. Foi se construindo na prática", afirmou. "Eu tenho consciência do tamanho da tragédia que se abateu contra o PT" (...)"Não vou me responsabilizar por erros cometidos por pessoas do PT. Não acompanho mais a vida orgânica do PT desde dezembro de 2002", afirmou o ex-ministro em seu depoimento.

Ele afirmou conhecer apenas os dois empréstimos legais e assumidos pelo PT, que tiveram o publicitário como avalista, além de um leasing com o Banco do Brasil.

"Sei da gravidade dos erros que setores do PT cometeram na campanha de 2004, mas só respondo pelo que decidi, participei, autorizei... Não assumo os atos da Executiva Nacional do PT... Não posso assumir aquilo em não fui responsável", disse Dirceu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, durante seu primeiro depoimento público após o início da crise, há 56 dias.

O ex-ministro defendeu Lula e o governo. "Esse é um governo que não rouba e não deixa roubar (...) O presidente Lula, ao contrário do que dizem, é maior liderança histórica do Brasil. Não é verdade que eu estaria magoado com o presidente e que viria a esta Comissão fazer qualquer ataque ao governo. Eu sei me defender sozinho", completou.

O Conselho de Ética avalia o pedido de cassação do deputado Roberto Jefferson, que denunciou a existência do "mensalão", o pagamento pelo PT a partidos aliados em troca de aprovação de medidas do governo.

No início do depoimento de Dirceu, o PTB protocolou um pedido de cassação do ex-ministro, que, se aceito, impedirá Dirceu de renunciar para manter seus direitos políticos.

"Não sou chefe de quadrilha"
Para Jefferson, que participou como acusado, Dirceu encabeçava o suposto esquema, operado por Delúbio, José Genoino, então presidente do PT, e Silvio Pereira, ex-secretário-geral.

A denúncia acabou por derrubar todos os envolvidos. Dirceu, o homem forte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro a cair - deixou a chefia da Casa Civil em 16 de junho.

"Não vou aceitar que eu seja prejulgado, que eu seja acusado de ser um chefe de quadrilha como quis o deputado Roberto Jefferson. Não organizei, não sou o chefe e jamais permitiria a compra de voto a parlamentares", afirmou Dirceu, desafiando seus pares a provar algo irregular contra ele.

Ele enfatizou algumas vezes durante o depoimento a negativa de sua participação no suposto "mensalão". "Não participei, não autorizei, jamais concordaria com qualquer proposta de compra de voto ou de compra de parlamentar ou de mensalão."

O deputado também negou que tivesse relação de amizade com Valério, apontado como operador do mensalão, mas admitiu ter se encontrado com ele na Casa Civil.

Renúncia
Dirceu, que depôs na condição de testemunha, negou que renunciaria, afirmando que prefere enfrentar o que qualificou como a mais importante luta de sua vida. "Não vou renunciar ao meu mandato, eu vou lutar em defesa da minha honra e pelo meu mandato até o fim."

E acrescentou: "Não vou renunciar. Vou travar mais essa luta da minha vida. Talvez a mais importante da minha vida. Espero que eu possa chegar ao final com a consciência tranqüila como estou aqui hoje".

Julgamento da trajetória
Como tática, Dirceu controlou-se para não ceder às agressões verbais feitas pelo seu principal inimigo político e deu como garantia de correção e idoneidade sua biografia de 40 anos na vida pública, que não lhe renderam nenhum processo, "ao contrário do deputado Roberto Jefferson, que em muitos casos é réu confesso".

"Por que estou sendo acusado e tratado dessa forma?", questionou. "Pelo que eu represento para o País, para a esquerda, para o PT e pelo meu papel na eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva... De nada me serve não andar de cabeça erguida, de nada me serve ter direitos políticos se eu não tiver dignidade", disse.

Dirceu mostrou-se obstinado e repetiu pelo menos cinco vezes que não abrirá mão de sua vida pública.

Duelo morno
Roberto Jefferson mostrou mais habilidade na qualidade de réu do que de acusador. A expectativa geral era de que a confrontação entre os dois deputados fosse explosiva. Dirceu manteve-se calmo diante das provocações de Jefferson. O relator do Conselho de Ética, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), considerou "frustrante" o duelo. "Foi a palavra de um contra a do outro", disse.
 

Redação Terra