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Crise no Governo
Sexta, 8 de julho de 2005, 17h58 
Assessor de irmão de Genoino preso com R$ 440 mil
 
Divulgação
O assessor político portava uma mala contendo R$ 200 mil
O assessor político portava uma mala contendo R$ 200 mil
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A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, José Adalberto Vieira da Silva, com uma mala de dinheiro contendo R$ 200 mil e mais US$ 100 mil na cueca, num total de cerca de R$ 440 mil. Por lei, não é permitido viajar com mais de R$ 10 mil sem declarar à Receita Federal. O homem, que tentava embarcar para Fortaleza, com escala em Brasília, é assessor do deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE), irmão do presidente nacional do PT, José Genoino.

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No início da noite, o deputado Guimarães confirmou em entrevista coletiva no hotel onde a Executiva Nacional do partido está reunida em São Paulo que Adalberto é seu assessor. Ele ressaltou, entretanto, que o funcionário exerce apenas tarefas políticas e nunca mexeu com dinheiro. "Não tem nada a ver ele estar mexendo com isso. Eu vou investigar, estou tomando as providências e logo em seguida esclareceremos a opinião pública. Estou tomando conhecimento pela imprensa", afirmou Guimarães.

Guimarães disse também não ter conhecimento da ida do assessor a São Paulo e que a última vez que falou com ele foi na quarta-feira sobre sua agenda no interior do Ceará. O deputado esclareceu que o assessor foi uma escolha pessoal e que se conhecem há pelo menos sete anos. Adalberto é militante do PT e trabalha em Aracati, no Ceará. Ele faz a ponte entre o deputado e os municípios e ganha em torno de R$ 2 mil por mês.

O político refutou qualquer ligação do assessor com Genoino, seu irmão. "Primeiro que sou deputado pelo Ceará. E a minha relação com o Genoino é política". O deputado é líder do PT na Assembléia Legislativa do Ceará.

Adalberto carregava ainda uma agenda do PT onde constam dados sobre reuniões e atas e também estava com uma pasta de nylon de cor azul onde se lia "no stress". Ele foi preso e encaminhado para a custódia da Superintendência Regional da PF em São Paulo, onde responderá por crimes contra o sistema financeiro e de ordem tributária. Ele está acompanhado por advogados e informou que só falará sobre o assunto em juízo. José Adalberto tem 39 anos e é natural de Aracati (CE).

A Polícia Federal anunciou, por meio de uma nota, que desconfiou do conteúdo da mala após sua passagem por um aparelho de Raio X. Foi feita então uma revista minuciosa, que achou dinheiro na mala e sob suas roupas íntimas. José Adalberto não explicou a origem ou o destino do dinheiro.

Guimarães levantou suspeitas pela coincidência da prisão de um assessor do irmão do presidente petista com tanto dinheiro acontecer no momento de "clima de confusão dentro do PT". O partido é acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de pagar mesadas a parlamentares do PP e do PL em troca de apoio no Congresso.

Genoino tenta se manter à frente do partido, apesar das contínuas denúncias de irregularidades. Nesta semana, Silvio Pereira deixou a Secretaria Geral do PT e Delúbio Soares, a tesouraria. Os dois também são alvo das denúncias de Jefferson.

Em Brasília, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi chamado ao Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o episódio. Depois falou com jornalistas, explicando que tudo será devidamente investigado.

Thomaz Bastos contou que relatou o caso ao presidente Lula, que o chamou à tarde ao Palácio do Planalto. No encontro, destacou o ministro, foi reiterada a determinação de que todos os fatos ilegais têm de ser apurados "amplamente e profundamente". E acrescentou: "Não perseguimos amigos, não protegemos amigos e não perseguimos inimigos". "Não protegemos amigos, não perseguimos inimigos (...) a Polícia Federal e todos órgãos de segurança do Estado fazem uma política de segurança do Estado, de país e não uma política de segurança de governo", disse Bastos.

O ministro informou que tudo será apurado: "De onde veio e para onde ia o dinheiro e todas as questões que rodeiam este caso. É um fato sério, grave, que precisa ser apurado". E reiterou que a Polícia Federal está fazendo um trabalho sério de investigação em todos os setores.
 

Redação Terra