| Agência Brasil |
 Valério depõe à CPI dos Correios |
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O publicitário Marcos Valério, acusado de ser um dos operadores do "mensalão" pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), prometeu hoje, durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, cobrar parte do empréstimo feito pelo PT no qual foi avalista, no valor total de R$ 2,7 milhões. Ele reconheceu ter feito a operação em nome da amizade que mantém com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. "Já cobrei e me disseram para eu ter paciência porque estavam sem dinheiro", disse. "Eu sou um homem paciente", afirmou.
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Valério também sugeriu que suspendam seus contratos por uma semana e "vasculhem tudo". Ele negou conhecer o "mensalão". Disse ainda que a origem dos saques milionários feitos por ele não foram de contas públicas. "Se quiserem fazer uma auditoria independente, podem suspender todos os meus contratos", afirmou.
O empresário reconheceu diante dos parlamentares que a sua carreira está acabada. "Minha carreira como publicitário e como empresário acabou. Não preciso nem falar o porquê", afirmou. O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) fez referência às altas movimentações financeiras de Valério. "A publicidade substituiu os laranjas do PC (referência ao empresário PC Farias)", disse Mattos.
Valério afirmou que o habeas corpus preventivo foi uma estratégia de seus advogados como forma de garantir seus direitos. "A República não vai cair por minha causa", afirmou.
Ele negou que tenha entregado mala de dinheiro e afirmou que Jefferson mentiu. Valério disse que as afirmações feitas pelo deputado José Borba (PMDB) também são invenções. "Tratei de assunto políticos, não tratei de cargos", declarou. "Daqui a pouco sou ministro sem pasta".
Valério disse ao senador César Borges (PFL-BA) que se encontrou duas vezes, apenas, com o deputado Jefferson - uma para tratar de política e outra "por acaso" em um restaurante. O empresário garantiu ser "mentira" de Jefferson a declaração do deputado de que teria recebido R$ 4 milhões de Valério. O publicitário também disse serem mentirosas as denúncias de envolvimento em corrupção no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). O publicitário disse a César Borges, ainda, que o único empréstimo em que foi avalista do PT foi o de cerca de R$ 2,7 milhões no BMG e que aceitou ser fiador pela amizade que tem com o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, que conheceu em 2002.
O publicitário disse que foi "coincidência" os altos saques realizados por ele na véspera de viagens para Brasília. O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) afirmou que Valério deve ser um dos poucos brasileiros que "em um País violento como o nosso saca dinheiro e fica passeando por aí" e relatou saques de mais de R$ 300 mil em dinheiro feitos pelo publicitário.
Ex-secretária
Valério afirmou, em seu depoimento à CPI, que a ex-secretária Fernanda Karina trabalhou para ele durante nove meses. O empresário afirmou que não tinha nada contra Fernanda e que ainda deu uma gratificação de R$ 5 mil quando ela deixou de trabalhar para ele. O publicitário destacou que não precisava ter uma secretária "para marcar passagens", por isso teria dispensado os serviços dela.
O publicitário acrescentou que Karina continuou fazendo solicitações de dinheiro. Também mandou e-mails e recados. Em um deles, datado do dia 22 de junho de 2004, a ex-secretária teria dito que entraram em sua conta bancária e que era para ele ligar para ela que, então, explicaria melhor.
Avalista do PT
Valério afirmou que não é mais avalista do PT, ao ser questionado se já havia sido avalista de algum partido político. "Fui avalista do PT, sim, somente do PT, no banco BMG a pedido do senhor Delúbio Soares. Após pagar um valor, pedi que meu nome fosse retirado do banco da condição de avalista", afirmou Valério. Sobre a parcela da dívida do PT paga pela SMP&B, Valério diz que a pagou porque o partido não tinha como fazê-lo.
Em seu depoimento, Valério informou que outra empresa de propriedade dele, a DNA, tem contrato com o Banco do Brasil desde 1994. Em 2001, o contrato foi no valor de R$ 43,8 milhões; em 2002, de R$ 65 milhões; em 2003, chegou a R$ 75 milhões. Em 2004, o valor foi de R$ 103 milhões e em 2005, é de R$ 39 milhões. Além do Banco do Brasil, a empresa atende também ao Ministério do Trabalho e à Eletronorte. Segundo Valério, todos os contratos datam do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Valério apresentou dez empresas nas quais consta seu nome. As duas empresas mais importantes - DNA e SMP&B - estão no nome de sua mulher. O publicitário informou ter transferido as empresas para o nome da mulher porque havia "brigado com o ex-sócio" e que nunca passou de volta para o próprio nome porque a mulher "teria medo que ele se separasse dela".
O publicitário afirmou que a agência SMP&B participou com outras 54 agências de licitação para fazer a publicidade dos Correios. Segundo o publicitário, o contrato vencido por ele foi de R$ 28 milhões e seria "impossível haver superfaturamento", uma vez que os recursos foram usados para pagar propaganda na mídia. Valério disse que, "se houvesse superfaturamento", ele teria que estar "mancomunado" com os veículos para receber notas superfaturadas.
Valério afirmou ainda que, do total, sobraram R$ 2,8 milhões após os pagamentos. Tirando impostos, relatou, a empresa teria ficado com cerca de R$ 1,4 milhão. Marcos Valério garantiu que não há condições técnicas de superfaturamento nesse contrato, que sofre auditoria interna dos Correios e do Tribunal de Contas da União.
O empresário Valério disse que cerca de 20% dos R$ 200 milhões que a SMP&B faturou no ano passado correspondem a contas do governo. Em relação à empresa DNA, o faturamento relativo a contas do setor público fica em torno de 50%, conforme afirmou.
Fazendas de gado
O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), questionou que destino tiveram os saques em dinheiro vivo feitos pelas empresas de Marcos Valério. O publicitário afirmou nunca ter dito que comprava gado com esses recursos, informação que atribuiu a uma afirmação mal interpretada pela imprensa.
Disse ainda que os saques representam 4% do faturamento das empresas e que muitas vezes fornecedores sacam cheques no banco em dinheiro vivo. Valério considerou um ato ilícito da imprensa a divulgação de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relativos às empresas dele.
O relator não se mostrou satisfeito com a resposta. Valério afirmou que apresentará informações sobre o destino do dinheiro posteriormente, "em fórum adequado".
Valério afirmou que é devedor da Previdência Social, mas que está questionando a dívida na Justiça. O deputado Osmar Serraglio indagou se, apesar disso, a empresa participa normalmente de licitações. O publicitário afirmou que uma decisão judicial permite sua participação nas concorrências.
Roberto Jefferson
Em relação ao deputado Roberto Jefferson, Valério disse que o parlamentar "vai construindo seu depoimento e suas versões durante as entrevistas". O publicitário destacou que nos dias apontados por Jefferson que ambos teriam se encontrado para tratar sobre o "mensalão", ele estava em Belo Horizonte com a família. Ele apresentou notas de restaurantes na capital de Minas Gerais, que comprovariam que ele não esteve com Jefferson no período apontado. Ele entregou os documentos ao relator da CPI dos Correios.
O publicitário contestou denúncia da ex-secretária Fernanda Karina de que motoboys saíam da sua empresa com malas de dinheiro. Valério disse que Fernanda não "tinha acesso a informações financeiras da empresa" e que ele a está processando por "chantagem e extorsão". Marcos Valério afirmou que qualquer investigação revelará o dia-a-dia "normal de empresa trabalhando".
Publicitário chora ao lembrar do filho morto
O empresário chorou no depoimento à CPI ao lembrar que iria colocar o nome de uma de suas empresas de JVN, que não chegou a ser criada, com as iniciais dos três filhos, porque um deles morreu aos seis anos. Valério tem uma filha de 13 anos e um outro menino com quatro anos de idade e afirmou que a empresa seria para ajudar a construir o patrimônio de seus herdeiros.
Valério começou a depor por volta das 9h55 de hoje e afirmou que, mesmo tendo o direito de calar-se, iria colaborar com os parlamentares. A comissão investiga as denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
O empresário afirmou que constituiu uma série de empresas para burlar a legislação tributária, uma vez que algumas delas substituíam outras, fechadas por conta de débitos na Receita Federal. Uma delas, segundo explicou, foi a empresa 2S Participações, aberta "em nome de dois funcionários, porque tinha impedimentos na Receita Federal e com a Justiça". O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), considerou "estranho" o fato de essa empresa ter sido constituída com capital de apenas R$ 1 mil.
Ele apresentou dez empresas nas quais consta seu nome. As duas empresas mais importantes - DNA e SMP&B - estão no nome da sua mulher. O publicitário informou ter transferido as empresas para o nome da mulher porque havia "brigado com o ex-sócio" e que nunca passou de volta para o próprio nome porque ela "teria medo de que ele se separasse dela".
Na noite de ontem, Valério obteve um habeas-corpus preventivo do STF para não ser preso durante o depoimento caso se recuse a prestar informações. Logo em seguida, os parlamentares ouvirão a ex-secretária do empresário Fernanda Karina Somaggio. O requerimento de votação para uma possível acareação entre ambos será votado amanhã pela CPI, informou o presidente da CPI, Delcídio Amaral, ao abrir a sessão de hoje.
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