Crise aérea

Crise aérea

Segunda, 16 de junho de 2008, 20h18 Atualizada às 21h19

FAB: falhas no inglês causaram incidentes aéreos

A Força Aérea Brasileira (FAB) emitiu um relatório em que menciona a ocorrência de 10 incidentes aéreos no País entre 2003 e 2007 devido a falhas na comunicação entre controladores de vôo e pilotos estrangeiros. Segundo relatório da FAB, o problema foi devido à falta de conhecimento de inglês dos controladores de vôo.

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Em entrevista durante a tarde, o diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, brigadeiro Ramon Borges Pedroso, disse que, até 2011, todos os controladores de vôo que operam em tráfego aéreo internacional devem ter nível de inglês para se comunicar além do nível técnico.

Segundo Pedroso, dos 1.500 controladores de vôo em atividade no controle do tráfego aéreo internacional no Brasil, apenas 350 apresentam o nível de inglês mínimo exigido, desde 2003, pela Organização Internacional de Aviação Civil (Oaci). No entanto, 100% deles têm o conhecimento necessário para manter a comunicação entre a torre e os pilotos.

A Oaci é um órgão vinculado às Nações Unidas (ONU) que trata de padrões e normas da aviação civil. O padrão internacional exige o nível de inglês 4, em uma escala de 1 a 6. De um total de 190 países ligados à organização, outros 89, além do Brasil, não possuem o nível de conhecimento do idioma desejável. Entre estas nações estão a França, Alemanha, Portugal e Espanha.

Ainda de acordo com Cardoso, para suprir a necessidade de profissionais qualificados neste setor, a Aeronáutica escala, nas torres de controle, um supervisor com o conhecimento adequado à norma internacional para cada três profissionais com o nível de inglês abaixo do padrão. Estes supervisores auxiliam os demais controladores caso ocorram problemas que demandem um diálogo entre o piloto e a torre que não esteja de acordo com a rotina.

Além disso, no ano passado foram investidos mais de R$ 3 milhões no ensino do idioma para estes profissionais A Aeronáutica também está reformulando o treinamento de inglês para atender a demandas específicas do controle do tráfego aéreo e passará a exigir o conhecimento intermediário do idioma nos seus próximos concursos.

O objetivo, segundo o diretor do Decea, é que, até 2011, prazo determinado em 2007 pela Oaci, 100% dos controladores de tráfego aéreo de vôos internacionais estejam com o conhecimento da língua inglesa de acordo com as exigências adotadas pela organização. Pela norma, a pena para os profissionais com o nível de inglês abaixo do estabelecido como padrão é perder a carteira de habilitação.

O tráfego internacional representa 7% do total do país. De 2003 a 2007, foram registradas no Brasil dez ocorrências causadas por problemas de comunicação, sendo três delas foram críticas. Segundo Cardoso, apesar disso, nunca ocorreu um acidente com vítimas no Brasil causado pelo desconhecimento do inglês.

"Não existe nenhum acidente registrado que pudesse colocar como fator contribuinte a comunicação em inglês dos controladores. A nossa probabilidade de que aconteça um incidente é de 0,00022, o que é um número bastante razoável para o controle do tráfego aéreo", disse.

O diretor do Decea afirmou que a probabilidade de que ocorra um incidente no tráfego aéreo internacional é de um para cada seis meses, e estão incluídas nesta categoria ocorrências sem graves conseqüências. Estes dados inserem o Brasil na categoria "risco médio", já que o "risco baixo" pressupõe um incidente a cada 30 anos.

*Com informações da Agência Brasil.
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