Crise aérea

Crise aérea

Domingo, 30 de março de 2008, 18h15

Após um ano, controle de tráfego aéreo mudou pouco

Um ano depois de promover uma paralisação dentro dos Cindactas, os controladores continuam reclamando dos mesmos problemas que os levaram a parar os céus do Brasil em 30 de março de 2007.

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No ano passado, quando promoveram um motim nas salas de controle de tráfego aéreo, eles reclamavam dos baixos salários, dos equipamentos deficientes, das falhas nos radares e da estrutura militar à que estão submissos.

Desde então poucas mudanças foram promovidas pelo governo. Os salários dos controladores continuam baixos, a ponto da maioria deles utilizar o tempo livre para fazer cursinhos para concursos públicos de outras áreas federais.

Os equipamentos foram substituídos em alguns Cindactas, mas o sistema de radares continua o mesmo. E a estrutura militar ainda se mantém, e nos últimos meses recrudesceu seus procedimentos para evitar novas rebeliões nas salas de controle.

A paralisação daquele dia teve efeitos sobre o sistema de tráfego aéreo por vários dias. Passageiros em todos os aeroportos do País sofreram com atrasos superiores a três horas.

A relação entre os controladores e seus superiores ficou ainda mais azedada nessa semana quando a Federação Brasileira das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal Militar (STM) contra o comando da Aeronáutica, acusando os comandantes dos Cindactas e o comandante da Força, brigadeiro Juniti Saito, de omissão e abandono de posto.

A Febracta alega que eles devem ser punidos porque, no dia 30 de março do ano passado, abandonaram as salas de controle quando os seus comandados anunciaram o motim.

A ação faz parte de uma estratégia de contra-ataque dos controladores ao Inquérito Policial Militar (IMP) que corre contra aqueles que coordenaram a revolta nas salas de controle.

Esse processo está na fase final, e a juíza-auditora, Zilah Maria Callado, responsável pelo caso disse que fará todos os esforços para chegar a um veredicto ainda nesse ano.

"Faremos todos os esforços para concluir esse julgamento nesse ano", disse. Ela explica que um processo por motim é coisa rara nos escaninhos da Justiça Militar.

Cinco militares e um civil respondem por motim e incitamento à revolta, respectivamente no STM. Zilah evita qualquer comentário sobre o mérito da causa.

Segundo ela, restam duas testemunhas de acusação para serem ouvidas no dia 10 de abril. Depois, a defesa poderá arrolar as suas testemunhas, e somente depois disso será possível marcar o julgamento final.

Na sexta-feira, a Aeronáutica emitiu uma nota informando que daquela época para cá foram formados 600 novos controladores de vôo. Porém, o Comando não informa quantos militares pediram baixa da função desde então nem se o número de controladores na ativa é suficiente para atender ao volume de tráfego nos céus. Na nota, há apenas uma informação vaga de que até 2010 cerca de 4 mil militares estarão na função.

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