Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília
» Controladores entram com ação
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No ano passado, quando promoveram um motim nas salas de controle de tráfego aéreo, eles reclamavam dos baixos salários, dos equipamentos deficientes, das falhas nos radares e da estrutura militar à que estão submissos.
Desde então poucas mudanças foram promovidas pelo governo. Os salários dos controladores continuam baixos, a ponto da maioria deles utilizar o tempo livre para fazer cursinhos para concursos públicos de outras áreas federais.
Os equipamentos foram substituídos em alguns Cindactas, mas o sistema de radares continua o mesmo. E a estrutura militar ainda se mantém, e nos últimos meses recrudesceu seus procedimentos para evitar novas rebeliões nas salas de controle.
A paralisação daquele dia teve efeitos sobre o sistema de tráfego aéreo por vários dias. Passageiros em todos os aeroportos do País sofreram com atrasos superiores a três horas.
A relação entre os controladores e seus superiores ficou ainda mais azedada nessa semana quando a Federação Brasileira das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal Militar (STM) contra o comando da Aeronáutica, acusando os comandantes dos Cindactas e o comandante da Força, brigadeiro Juniti Saito, de omissão e abandono de posto.
A Febracta alega que eles devem ser punidos porque, no dia 30 de março do ano passado, abandonaram as salas de controle quando os seus comandados anunciaram o motim.
A ação faz parte de uma estratégia de contra-ataque dos controladores ao Inquérito Policial Militar (IMP) que corre contra aqueles que coordenaram a revolta nas salas de controle.
Esse processo está na fase final, e a juíza-auditora, Zilah Maria Callado, responsável pelo caso disse que fará todos os esforços para chegar a um veredicto ainda nesse ano.
"Faremos todos os esforços para concluir esse julgamento nesse ano", disse. Ela explica que um processo por motim é coisa rara nos escaninhos da Justiça Militar.
Cinco militares e um civil respondem por motim e incitamento à revolta, respectivamente no STM. Zilah evita qualquer comentário sobre o mérito da causa.
Segundo ela, restam duas testemunhas de acusação para serem ouvidas no dia 10 de abril. Depois, a defesa poderá arrolar as suas testemunhas, e somente depois disso será possível marcar o julgamento final.
Na sexta-feira, a Aeronáutica emitiu uma nota informando que daquela época para cá foram formados 600 novos controladores de vôo. Porém, o Comando não informa quantos militares pediram baixa da função desde então nem se o número de controladores na ativa é suficiente para atender ao volume de tráfego nos céus. Na nota, há apenas uma informação vaga de que até 2010 cerca de 4 mil militares estarão na função.
Redação Terra
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