Crise aérea

Crise aérea

Segunda, 18 de fevereiro de 2008, 05h46

Jobim descarta saída de Gaudenzi da Infraero

As investidas do PT e do PMDB para conquistar o comando da Infraero balançaram o presidente da estatal, Sérgio Gaudenzi. Mas, em conversas com aliados, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, descartou a saída do chefe da empresa aeroportuária. Jobim defende a permanência de Gaudenzi no posto para evitar prejuízos aos novos projetos da Infraero que estão engatilhados. A idéia é lançar em seis meses a principal reformulação da estatal: a abertura de capital, com a venda de ações nas bolsas de valores.

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A medida foi proposta por Gaudenzi e está em análise por técnicos do Ministério da Fazenda. A avaliação do ministro da Defesa é de que se houver qualquer alteração na chefia, o cronograma de ações da empresa, que incluem obras significativas em aeroportos previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - principal bandeira de investimentos do governo Lula - poderá atrasar.

"Gaudenzi assumiu a Infraero em meio a um cenário assustador, repleto de dívidas e suspeita de irregularidades. Agora que conseguiu arrumar a casa, querem derrubá-lo?", questiona o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).

Boatos
Circulam há algumas semanas no Ministério da Defesa boatos do desligamento de Gaudenzi do comando da Infraero. Entre os motivos estão os inúmeros desgastes com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que diverge do controle exercido por Gaudenzi na estatal. Dilma é a favor de medidas mais drásticas e de curto prazo. Um dos principais desencontros entre os ministros é a questão sobre a privatização do terceiro aeroporto de São Paulo, ainda a ser construído, e considerada fundamental por Dilma. Com os rumores da troca de Gaudenzi, corre no Palácio do Planalto a notícia de que a ministra da Casa Civil já teria escolhido o sucessor. O posto seria repassado ao atual presidente da Empresa de Planejamento Energético, Maurício Tolmasquim.

Em meio às especulações sobre sua saída, Gaudenzi tratou de avisar aos funcionários da estatal que permanece. Na tarde de sexta-feira, divulgou uma circular interna explicando que não há desconforto e que continua na chefia da empresa aeroportuária. Nos bastidores, no entanto, o presidente da Infraero confidenciou a colegas do PSB, que, se a pressão de petistas e peemedebistas pelo cargo continuar, vai acabar cedendo.

"Não há porque ele (Gaudenzi) temer. Da parte do PMDB, não existe a barganha deste cargo", afirma o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO).

Alguns integrantes do PSB sustentam que uma saída para Gaudenzi pode ser as eleições municipais de outubro. Gaudenzi ensaia disputar a Prefeitura de Salvador. Mas, o presidente da Infraero não estaria totalmente satisfeito com a aliança do PSB com PT e PMDB, que lhe reservaria o cargo de vice-prefeito. Caso esta seja a solução para os contratempos, o presidente da Infraero terá que deixar o cargo em março, quando termina o prazo para as autoridades que queiram concorrer às eleições se afastem.

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