Crise aérea

Crise aérea

Segunda, 28 de janeiro de 2008, 21h02 Atualizada às 21h51

Aéreas: movimento cresceu abaixo do esperado

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) acredita que o aumento de 8 milhões de passageiros nos aeroportos brasileiros em 2007, comparado com 2006, poderia ser maior. O diretor técnico da entidade, Ronaldo Jenkins, diz que a propaganda negativa sobre o setor e as restrições impostas pelo governo no Aeroporto de Congonhas impediram crescimento ainda mais significativo dos números.

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Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela Infraero. Em 2007, foram 110,6 milhões de embarques e desembarques, número superior aos dados de 2006, quando foram registrados 102,1 milhões de passageiros, crescimento de 8,24%.

"Nossa projeção era de um crescimento na casa dos 13% ou 14%. Entre 2006 e 2005, o crescimento foi de 12,3%, Entre 2005 e 2004, houve expansão de 19,4% no número de passageiros. Entre 2004 e 2003, o crescimento foi de 11,9%. E com o ritmo de crescimento da economia poderíamos ter crescido ainda mais", comenta Jenkins. Ele prevê que em 2008 o crescimento da demanda fique na casa dos 12%.

Para ele, a propaganda negativa influenciou na expansão do setor. "Só teve propaganda negativa no ano passado", comenta. Outro fator apontado por ele para o crescimento aquém das expectativas foram as restrições de tráfego que o governo colocou em Congonhas, depois do acidente com o Airbus da TAM.

"As mudanças de Congonhas, retirando o hub (centro de conexões e escalas) de Congonhas, dificultou o trabalho das empresas. Vôos foram transferidos para Guarulhos. O aeroporto de Congonhas está sendo subutilizado, porque há estudos que mostram que ele suporta até 50 movimentos por hora (hoje o limite imposto pelo governo é de 33 movimentos por hora, considerando a aviação geral também). A decisão do governo apenas diminuiu o movimento, mas não aumentou a segurança", argumenta o diretor do Snea.

O Snea e a Infraero usam critérios diferentes para comparar o crescimento da demanda. Pelos cálculos do Sindicato (que usa um cálculo de passageiros por quilômetro), o número de passageiros transportados dentro do Brasil cresceu 11,9%. Porém, analisando os números absolutos de passageiros que embarcaram nos aviões em 2007, percebe-se que houve uma redução no aumento de usuários.

Entre 2003 e 2004, houve um acréscimo de 11,5 milhões de passageiros. Entre 2004 e 2005, a demanda cresceu em mais de 13 milhões de usuários. Entre 2005 e 2006, o crescimento arrefeceu e foram transportadas 6 milhões a mais de pessoas. No ano passado, 110,6 milhões de pessoas viajaram de avião, pouco mais de 8 milhões a mais que 2006.

O diretor técnico do Snea teme ainda que o crescimento continue limitado pela falta de investimentos de infra-estrutura no setor. "O governo tem tomado medidas paliativas. A questão de infra-estrutura nos preocupa muito". Segundo Jenkins, o governo deveria estar trabalhando mais rapidamente na construção de um novo aeroporto, porque o crescimento da demanda deve superar a oferta que as reformas de Guarulhos serão capazes de oferecer.

Por meio da assessoria, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse que o crescimento do número de passageiros transportados não provoca riscos à segurança de vôo.

O Snea diz ainda que as empresas nacionais transportaram 5,1% menos passageiros em vôos internacionais do que em 2006. No balanço da Infraero, o número de pessoas que voaram para o exterior cresceu 3,5%. "Isso significa que as empresas internacionais tomaram o espaço que antes era ocupado pela Varig", explica Jenkins.

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