Crise aérea

Crise aérea

Domingo, 27 de janeiro de 2008, 21h14

Volta de conexões em Congonhas preocupa vizinhos

A retomada de conexões no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, marcada para março, já tira o sono dos moradores de bairros vizinhos, como Moema. Além do barulho, há a preocupação com um possível novo acidente. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirma que a medida não significa abrir mão da segurança nos vôos nem alterar os horários das partidas e decolagens.

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Presidente da associação de moradores de Moema desde 1991, Lygia Horta vê um "retrocesso enorme" na retomada de conexões e vôos charter em fins de semana. "O governo está voltando atrás em uma série de exigências que foram feitas logo depois do acidente com o avião da TAM", diz. "Vão encher de novo aquela pista mínima de aeronaves", prevê.

Além do perigo de novo acidente, segundo ela, a volta das conexões poderia abrir precedente para a retomada dos vôos em horários especiais a preços promocionais. "Temos medo do desrespeito ao repouso noturno", afirma.

A Assessoria de imprensa da Anac afirma que o horário de funcionamento do Aeroporto de Congonhas não sofreu qualquer alteração. "O número de pousos e decolagens por hora não foi modificado. São 30 slots/hora destinados à aviação comercial e 4 slots/hora destinados à aviação geral", informou a Anac em nota.

Ainda de acordo com a Anac, "é importante ressaltar que, ao manter os 30 slots/hora, as companhias aéreas deverão adaptar os vôos que atualmente operam no Aeroporto de Congonhas". As adaptações seriam para evitar atrasos.

Também moradora de Moema, a psicóloga Rosângela Lurbe afirma que a freqüência do ruído dos aviões em pequenos intervalos é prejudicial à saúde. "Eu moro no 25° andar, em uma cobertura que é rota de aviões. Eu sempre soube que conviveria com o barulho, mas não imaginava anos atrás que seria tanto", diz.

Ela defende a existência do aeroporto, mas afirma que as operações deveriam ser com aviões menores. Ainda de acordo com ela, há prejuízos também para os hospitais que ficam na rota de Congonhas.

Rosângela cita os hospitais Santa Bárbara, São Luiz e Jabaquara entre os que sofreriam a influência nociva da retomada do intenso fluxo de aeronaves em Congonhas a partir de março. "O ruído em intervalos mínimos sem dúvida prejudica a recuperação de doentes", afirma.

Em entrevista à rádio CBN, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na quinta-feira que a volta das conexões em Congonhas não significa abrir mão da segurança nos vôos. "No momento em que admitimos as conexões não estamos abrindo mão de absolutamente nada", disse.

Segundo o ministro, o governo implanta medidas para manter a regularidade dos vôos, como o aumento das tarifas para reprimir atrasos. Caso ultrapassem o tempo mínimo, as companhias serão multadas. "Com isso, vamos garantir a pontualidade."

Após a tragédia com o avião da TAM em Congonhas, o governo e as empresas aéreas reestruturaram a malha aeroviária para desafogar o aeroporto, tido como um dos principais pontos de conexão de todo o Brasil.

Devido às mudanças, Congonhas opera com apenas 30 operações de pouso e decolagens por hora, em comparação com as mais de 40 em meados do ano passado, antes do acidente, de acordo com o Ministério da Defesa. Por conta das mudanças, o aeroporto paulistano teve 205.130 pousos e decolagens no ano passado, em comparação com os mais de 230 mil em 2006.

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