Crise aérea

Crise aérea

Sábado, 4 de agosto de 2007, 12h25 Atualizada às 13h23

Alguém tem que ser culpado de tudo isso, diz Pereira

O brigadeiro José Carlos Pereira, que deixa a presidência Infraero na próxima segunda-feira, afirmou que é preciso resolver a crise aérea e disse que alguém tem de ser o culpado. "Se o preço para isso é demitir alguém e apontar culpados que seja assim." "Alguém tem que ser culpado de tudo isso", disse. Porém, Pereira garante que não sai descontente com o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e nem com o governo.

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"Não tem mágoa, não tem nada disso. Ontem, quando me reuni com o ministro ele me informou que faria reunião do conselho da Infraero para analisar minha carta de demissão. Falei para ele que não faria uma carta e que ele deveria me demitir. Acertamos isso e na segunda-feira deixo a Infraero", disse o brigadeiro. A reunião do conselho será na segunda-feira, por volta das 16h.

Pela manhã, Jobim se reúne com o futuro presidente da empresa, Sérgio Gaudenzi, e negocia a troca dos outros diretores. O ministro quer fazer uma substituição total nas cinco diretorias da Infraero, mas ainda não sabe se essa é a melhor estratégia, porque não quer perder tempo com adaptações durante a crise. Jobim quer, por exemplo, iniciar a obra de recapeamento da pista principal de Guarulhos já na terça-feira. A obra não exige licitação e o governo tem pressa porque o aeroporto receberá a maior parte dos vôos retirados de Congonhas.

Na Infraero, a expectativa é que todos os diretores sejam trocados, porque a maior parte a diretoria foi nomeada pelo antigo presidente da empresa, o petista Carlos Wilson, que hoje é deputado federal. A Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) têm vários procedimentos de auditoria contra a gestão de Wilson. Os procedimentos foram um dos argumentos usados pelos congressistas para forçar a criação de duas CPIs para investigar o Apagão Aéreo.

Gaudenzi e Pereira são amigos, fizeram o colegial juntos em Salvador e isso pode facilitar a transição na empresa. Existe a possibilidade dos dois se encontrarem amanhã, mas as chances da reunião ficaram mais remotas porque Gaudenzi está em Salvador nesse final de semana. Atualmente, ele preside a Agência Espacial Brasileira (AEB).

O brigadeiro não deve ficar de fora do governo. Ele é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve esperar o poeira baixar para convidá-lo a assumir um cargo na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Pereira nega. "Estou fora."

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