publicidade
18 de março de 2013 • 22h43 • atualizado às 22h49

Comissão da Verdade vai investigar morte de João Goulart

Familiares do ex-presidente suspeitam que ele foi envenenado pelo regime militar na Operação Condor

 

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) deve investigar a morte do presidente João Goulart. A família do presidente fez um pedido formal à CNV para esclarecer a morte de Jango. O documento foi entregue nesta segunda-feira pelo diretor do Instituto João Goulart e filho de Jango, João Vicente Goulart. A família acredita que ele foi assassinado pela ditadura militar.

Documentos mostram que Jango era monitorado pela Operação Condor
Conheça desaparecidos da ditadura militar

Em 6 de dezembro de 1976, Jango morreu na cidade argentina de Mercedes, onde também viveu durante o exílio. A certidão de óbito diz que o presidente foi vítima de um ataque cardíaco. A família, no entanto, suspeita das circunstâncias da morte de Jango, pelo fato de que o presidente estava se organizando para voltar ao Brasil com o intuito de atuar contra o regime militar.

Para a família, Jango foi vítima de envenenamento, como parte da Operação Condor, ação coordenada entre os regimes militares de países sul-americanos contra seus opositores. Os parentes defendem que seja feita uma autópsia, o que não foi permitido na morte do ex-presidente, que estava exilado na Argentina. Deposto pelo golpe militar em 1964, Jango exilou-se com a família no Uruguai e, depois, na Argentina. Mesmo depois de retirado da Presidência da República, continuou sendo alvo do regime militar.

No requerimento apresentado à Comissão Nacional da Verdade, o Instituto João Goulart pede que seja feita coleta de testemunhos e documentos, além de consultas oficiais a autoridades dos Estados Unidos, do Paraguai, Chile, Uruguai e da Argentina.

Integrante da CNV, Rosa Cardoso disse que com os documentos apresentados há "um conjunto de indícios muito concludente" e que apontam que Jango pode ter sido vítima "da operação repressiva, dessa repressão terrível que se impôs aos exilados".

O pedido foi apresentado durante uma audiência pública realizada pela CNV, em parceria com a Comissão Estadual da Verdade de Porto Alegre, para ouvir relatos de 13 militantes de diversos grupos de resistência ao regime ditatorial sobre violências sofridas durante o período, de 1964 a 1985.

Agência Brasil