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Voo 3054: parentes se dizem 'indignados' com inquérito da PF

3 out 2009
11h19
atualizado às 11h34

A Associação dos familiares e amigos das vítimas do voo TAM JJ 3054 (Afavitam) divulgou nota nesta sábado afirmando estar "estarrecida e indignada" com a conclusão do inquérito da Polícia Federal sobre o acidente com o Airbus A320 da companhia, que deixou 199 mortos no dia 17 de julho de 2007. Os familiares afirmaram ter ficado surpreso com o fato de a PF só ter responsabilizado o piloto e o copiloto pela tragédia.

A PF entregou, na semana passada, o inquérito sobre o acidente ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório não traz nenhum indiciamento. A corporação entendeu que não há responsabilidade das pessoas que tinham gerência sobre o aeroporto, o avião e o setor aéreo. A conclusão seria que o acidente teria sido causado exclusivamente por erro dos pilotos - as caixas-pretas indicam que os dois manusearam as manetes de maneira diferente da recomendada.

"A surpresa foi total, tendo em vista que, como o inquérito corria em segredo de justiça, não nos foi possível acompanhar e fiscalizar o seu andamento. Em muitas oportunidades a quebra do sigilo foi solicitada por nós, e sempre negada, e aí está o resultado", afirma a nota. A associação ressaltou que o inquérito da Polícia Civil, que não corria em sigilo, apontou 11 responsáveis, como membros da TAM, Infraero e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de mencionar a Airbus.

A Afavitam afirma ainda ter sido surpreendida, em julho deste ano, com a mudança do delegado da PF no comando do inquérito. O familiares reclamam por não ter tido a oportunidade de conhecer o delegado Ricardo Sancovich, que entrou no lugar de Pedro Sarzi Júnior. "A mudança de delegado causou muita apreensão, já que o delegado Pedro Sarzi Junior acompanhou a investigação do delegado Barbosa, que corria na esfera estadual".

"O doutor Ricardo Sancovich, menos de quatro meses após tomar conhecimento do processo, que deve contar hoje com mais de 20 mil laudas, e que corre há mais de dois anos, parece ter ignorado todo o trabalho já realizado pela Polícia de São Paulo: deu fim ao inquérito sem apontar sequer uma pessoa 'viva' como responsável", diz o comunicado dos familiares.

Na nota, a associação convidou o delegado Ricardo Sancovich para encontrar os familiares na próxima reunião da associação, em 17 de outubro de 2009, em Porto Alegre e apresentar a sua conclusão sobre o relatório emitido.

Fonte: Terra
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