0

vc repórter: Itacoatiara constrói 4 km de passarela devido à cheia

12 mai 2009
13h52
atualizado às 17h30

O prefeito de Itacoatiara (AM), Antônio Peixoto de Oliveira, afirmou nesta terça-feira preocupar-se com a inundação em sua cidade, mas admite temer ainda mais o futuro: a vazante do rio Solimões. Mesmo antes das águas pararem de subir na cidade a 177 km da capital Manaus, ele prevê grandes problemas para julho e agosto, quando o leito dos rios voltar ao normal e a população ribeirinha tentar retornar para casa, ou para o que restou dela.

Passarelas foram construídas para permitir o trânsito dos moradores na região
Passarelas foram construídas para permitir o trânsito dos moradores na região
Foto: Alessandra Leite / vc repórter

"Nossa atenção está voltada para o período da vazante, pois quando a água baixar os ribeirinhos encontrarão suas moradias destruídas", declarou Antônio Peixoto. O prefeito explica que os banzeiros (marolas) formados pelas embarcações acabam destruindo o pouco que restou das residências, já abaladas. Com as águas para mais da metade de suas paredes, as construções não resistem muito após ficarem dois meses submersas.

Como boa parte da cidade ficou submersa, a prefeitura de Itacoatiara teve de construir 4 km de passarelas desde março deste ano, quando as chuvas se intensificaram na região norte do Brasil.

O prefeito viajará ainda esta terça-feira para Brasília, onde terá um encontro com representantes do governo federal a quem vai pedir ajuda. Ele será recebido pelos ministros Alfredo Nascimento (Transportes) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

Outro problema apontado pelo prefeito Antônio Peixoto é o surto sazonal de malária que atinge a região após setembro. Com as cheias, o problema deve se agravar. "Precisamos de doações de comida, colchões e medicamentos, mas, sobretudo, de mosquiteiros. Caso contrário, a situação será ainda mais preocupante", ressaltou ele.

Itacoatiara, de 84 mil habitantes, é um dos municípios do Baixo Amazonas mais castigados pelas cheias. Segundo dados da prefeitura, mais de 20 mil pessoas foram afetadas e hoje dependem da administração municipal, vivem em abrigos e recebem mantimentos, roupas e medicamentos.

"Entre julho e agosto as famílias tentarão voltar às suas residências, não terão dinheiro e, mesmo que consigam chegar, a maioria das casas estará completamente destruída", completa o prefeito.

Das 300 áreas rurais de Itacoatiara, 60% delas estão em área ribeirinha. E, segundo o governo local, todas elas estão sendo diretamente afetadas pelas enchentes. "Estão em situação de emergência ou calamitosa", explica Antônio Peixoto.

As cheias até deram novos atrativos a dois bairros de Itacoatiara, o Centenário e o da Paz. As localidades se tornaram verdadeiros balneários e têm atraído pessoas nos finais de semana. É que as cheias transformaram as vias locais em praias de rio, onde os moradores aproveitam para nadar e fazerem competições de canoagem.

As cheias deste ano foram antecipadas em dois meses. E já alcançaram o recorde histórico de 1953, quando as águas alcançaram 28 m acima do nível do mar. A cidade fica 18 m de altitude.

Mas o número atual já não é importante. "Mesmo que pare de chover hoje, a água do (rio) Solimões continuará a descer (da cabeceira). Para se ter idéia, em 30 de abril nós estávamos a 9 cm de alcançar a marca histórica", declarou o prefeito da cidade.

A internauta Alessandra Leite, de Itacoatiara (AM), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

vc repórter

compartilhe

publicidade