atualizado às 12h45

vc repórter: homem coleciona fotos de hospital por amor à história

 

Amante, apaixonado ou maluco. Três adjetivos comuns que o bauruense de 59 anos, Jaime Prado, utiliza para se definir quando o assunto é a história do Instituto Lauro de Souza Lima, criado em 1933 como Asilo-Colônia Aymores, em Bauru, no interior de São Paulo. Ele preserva um acervo com mais de 7.800 fotografias do local.

Funcionário do instituto há 36 anos, Prado conta que sua paixão teve início em 1968, quando foi visitar o hospital pela primeira vez, intrigado com a fama do local. Considerado pela sociedade uma espécie de campo de concentração nazista pelo fato de abrigar pessoas portadoras da doença infecto-contagiosa hanseníase, mais conhecida como lepra, não era exatamente um ponto turístico. Após essa visita, no entanto, Prado voltou ao hospital somente em 1976, mas para trabalhar.

"Lendo sobre o hospital e conversando com funcionários e pacientes aprendi muito a respeito do instituto. É uma pena que a sociedade não se interesse e não saiba a verdadeira história dele, que leva o nome de Bauru para o mundo e é referência no tratamento de pessoas com hanseníase. Além disso, possui a biblioteca mais completa sobre a doença", afirma Prado.

O tratamento da hanseníase na década de 1930 era o mesmo disponível nos tempos bíblicos e previa o total isolamento da sociedade. Por isso veio a necessidade da criação dos asilos-colônias, para abrigar os portadores da doença. No Brasil, o primeiro registro que comprova a presença da hanseníase data de 4 de novembro de 1697.

Até o Asilo-Colônia Aymores, de 1933, transformar-se em um Instituto de Pesquisa e receber o nome de Instituto Lauro de Souza Lima, em 1989, ele foi conhecido por outros três nomes: Sanatório Aimorés, Hospital Aimorés de Bauru e Hospital Lauro de Souza Lima, em referência ao hansenologista brasileiro.

Hoje, o local é centro de referência na área de Dermatologia Geral e, em particular, da hanseníase para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS). Além dos serviços na área de dermatologia, o instituto realiza também atividades voltadas à pesquisa, ensino, reabilitação física, terapia ocupacional, fisioterapia e cirurgias plásticas corretivas.

Para Prado, a história do instituto é triste e bonita, superou o preconceito que marcou seu surgimento e, hoje, se apresenta como modelo no tratamento da doença. "Ninguém preserva o que não gosta, nosso presente é herança do passado. Preservo e acredito que essa história deveria ser mais valorizada", afirma.

O internauta Jaime Prado, de Bauru (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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