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vc repórter: familiares protestam contra mortes após partos em SP

5 ago 2013
17h34
atualizado às 18h59
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Dezenas de pessoas participaram, na última sexta-feira, de uma manifestação em protesto contra a morte de dois recém-nascidos e uma gestante entre junho e julho no Hospital Regional de Cotia, na Grande São Paulo.

<p>Dezenas de pessoas protestaram, na última sexta-feira contra a morte de dois bebês e uma gestante no Hospiral Regional de Cotia</p>
Dezenas de pessoas protestaram, na última sexta-feira contra a morte de dois bebês e uma gestante no Hospiral Regional de Cotia
Foto: Cloves Ferreira / vc repórter

Caminhando pelas ruas da cidade com faixas e cartazes, familiares e amigos acusaram o hospital de negligência médica e responsabilizaram a entidade pela morte dos pacientes. A manifestação foi organizada pelos pais das meninas Nicoly Sofia e Kiaria Victoria, e familiares da gestante Renata Aparecida Bianchi.

De acordo com o pai de Nicoly, Gleyson de Souza Ferreira, a mãe Deise entrou em trabalho de parto no dia 21 de julho, mas teve sua cesárea realizada apenas no dia 24, após diversas idas ao hospital. “Minha mulher teve uma gestação normal. No dia 21 ela estava com contrações, e a levei pela primeira vez ao hospital. Um médico a avaliou pediu que voltássemos para casa pois ela estava sem dilatação", diz. 

No dia seguinte, Deise acordou com sangramento e viu as contrações aumentarem. “Voltamos ao hospital. Uma outro médico nos disse que o sangramento era normal e fomos mandados para casa de novo. Em menos de três horas tivemos que voltar ao hospital porque as dores estavam muito fortes", relata. 

Na terça-feira, dia 23, o casal retornou ao hospital. “A médica disse à minha mulher: se você sentir três contrações em dez minutos, interno você. Ela sentiu entre sete e dez contrações. Minha filha estava pronta para vir ao mundo, e não deixavam”, diz.

O parto teve início na madrugada do dia 24. Gleyson diz ainda que quando o médico decidiu optar pela cesárea, pediram que ele fosse ao vestiário colocar o uniforme, mas que acabou trancado no local. “O hospital ficou cerca de dois minutos sem energia. Ouvi do lado de fora uma mulher falando ‘ai meu Deus, agora não’. Nessa hora quebrei a porta do vestiário. Cheguei a ver a bebê com vida, se mexendo", afirma.  

"Na sala de parto, minha mulher escutou que o médico estava procurando sentir o coração do feto, enquanto o resto da equipe dizia que não iria dar tempo. Ele respondeu: ‘quem é o médico aqui?’. Quando minha mulher pegou a Nicoly, ela já estava morta”, afirma o pai da criança.

A ideia de se manifestar em protesto contra a morte da filha surgiu após Deise encontrar outra gestante que também havia perdido a filha. A mulher foi colocada no mesmo quarto que ela.  “Na quinta-feira colocaram a Fabiana Dias no mesmo quarto que o nosso, e ela contou que a sua menina, Kiaria Victoria, também havia morrido, e aí resolvemos fazer a passeata em forma de protesto. Uma outra foi organizada para sexta-feira”, conta. 

Também participaram do protesto os familiares de Renata Aparecida Bianchi, 20 anos. A jovem estava grávida do primeiro filho e foi atendida no dia 23 de maio. Ela teve alta após a cesárea e, dias depois, ao ir a um Pronto Socorro para retirar os pontos, os médicos sugeriram que ela retornasse ao hospital em razão de uma mancha vermelha abaixo do corte. Renata foi internada no dia 3de junho e morreu um dia depois, com quadro de insuficiência respiratória aguda, edema agudo nos pulmões e septicemia em decorrência do parto.

Secretaria da Saúde se pronuncia
Procurada pelo Terra, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado afirmou que o hospital realizou, no primeiro semestre, 1.656 partos, e que registrou "apenas" 9 casos de natimortos. Destes, cinco fetos pesavam abaixo de 1,5 kg, o que, segundo o órgão, configura "casos de prematuros extremos com grande risco de morte". 

“O hospital segue a recomendação do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre a realização de partos normais, considerados mais saudáveis e com menos riscos à gestante e ao bebê, sempre que isso for clinicamente possível”, afirmou a secretaria.

<p>Um novo protesto está previsto para a próxima sexta-feira</p>
Um novo protesto está previsto para a próxima sexta-feira
Foto: Cloves Ferreira / vc repórter

Sobre o caso da bebê Nicoly, a secretaria afirmou que o hospital prestou atendimento à paciente todas as vezes que foi procurado. No momento do parto, "o feto apresentou parada cardiorrespiratória. A equipe médica prontamente realizou os procedimentos de reanimação, mas não houve sucesso". 

Com relação ao caso de Kiara Victória, o órgão afirmou que atendeu a gestante Fabiana no dia 21, e que os exames comprovaram a saúde do bebê. “A mãe ainda não apresentava dilatação, por isso recebeu a orientação de ir para casa e retornar ao hospital em dois dias. Ela, no entanto, só retornou três dias depois, encaminhada por um pronto-socorro, e o bebê já não apresentava os batimentos cardíacos”, afirma. “Na ocasião os médicos detectaram que a paciente havia desenvolvido uma infecção intrauterina”. 

Já sobre o caso da paciente Renata Bianchi, o Hospital Regional de Cotia afirmou que “o parto aconteceu sem nenhuma intercorrência e, como a mãe e o bebê apresentavam boas condições de saúde, tiveram alta. No dia 3 de junho, a mãe retornou ao hospital com um infecção localizada na região do corte da cesariana. No dia seguinte à internação, a paciente sofreu um mal súbito e uma parada cardíaca. Apesar das tentativas de reanimação, que duraram cerca de 50 minutos, a paciente não resistiu", diz o órgão. 

O internauta Cloves Ferreira, de Cotia (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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