Tragédia em Santa Maria

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02 de fevereiro de 2013 • 15h05 • atualizado em 02 de Fevereiro de 2013 às 22h22

RS: vigília por mortos é cancelada após previsão de 40 mil pessoas

Familiares e amigos deixam flores em frente a Boate Kiss, palco da tragédia que deixou mais de 230 pessoas mortas
Foto: Fernando Borges / Terra
  • Daniel Favero
    Direto de Santa Maria
 

A vigília pelos mortos na boate Kiss que aconteceria na catedral da cidade de Santa Maria (RS), na noite deste sábado, foi cancelada por riscos para a segurança do evento, uma vez que eram esperadas mais de 40 mil pessoas.  De acordo com o padre coordenador do setor de juventude da arquidiocese da cidade, Cristiano Quatrin, após reunião com a prefeitura e órgãos de segurança, ficou de definido que o evento seria transferido para evitar uma aglomeração tão grande de pessoas.

 

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“A missa, agora, será realizada na Basílica da Medianeira, às 21h30, e não terá mais a vigília. Em virtude da instabilidade do clima e da chuva, e pelos temores acerca da segurança, resolvemos fazer dessa forma, para reunir um número menor de pessoas”, afirmou Quatrin. Após a missa a população de reuniria em frente à boate para uma vigília até as 2h, horário em que começou o incêndio na madrugada de domingo, matando mais de 230 pessoas.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.