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Viagem ao Rio 'salva' 40 estudantes de incêndio em Santa Maria

30 jan 2013
12h56
atualizado às 13h05
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Uma viagem ao Rio de Janeiro salvou um grupo de estudantes de Santa Maria (RS) do incêndio na Boate Kiss, que matou mais de 230 pessoas na madrugada do último domingo. Quarenta alunos de educação física da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participaram de uma comitiva que deixou a cidade na noite de sexta-feira para visitar obras referentes aos Jogos Olímpicos de 2016. "Graças a Deus, vim para o Rio", disse o estudante Daniel Carvalho, 21 anos.

A estudante Amanda Strassburger, de branco, perdeu uma prima e quatro amigos no incêndio
A estudante Amanda Strassburger, de branco, perdeu uma prima e quatro amigos no incêndio
Foto: Daniel Ramalho / Terra

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"Nem sei como estaria agora. Entre os que estão aqui, era normal ir de uma a duas vezes por mês à Kiss", afirmou o garoto, que havia colocado o nome na lista para a festa. Daniel, que fez aniversário na última segunda-feira, comemoraria a data na casa noturna, mas desistiu diante da oportunidade de ir ao Rio de Janeiro. Ele afirmou que conhecia pelo menos 15 pessoas que morreram na tragédia.

Já Amanda Strassburger, 18 anos, lamentou a morte de uma prima e quatro amigos no incêndio. Se não tivesse deixado Santa Maria para ir ao Rio, a estudante disse que certamente teria ido à Kiss na noite de sábado, data de uma festa liderada pelas turmas de agronomia e veterinária. "Era bem próxima de algumas pessoas que estavam lá. Certamente eu teria ido", afirmou Amanda.

Os estudantes ficaram sabendo da tragédia ainda na estrada, quando já estavam no Rio de Janeiro. Um deles recebeu uma ligação, às 5h, informando sobre o incêndio. Como o sinal do telefone estava falhando, certo desespero começou a tomar conta dos ocupantes do veículo, ansiosos por informações corretas a respeito do que estava ocorrendo em Santa Maria. "Quando realmente soubemos, foi uma comoção só. Se estivéssemos em Santa Catarina ou em São Paulo, certamente teríamos voltado", afirmou Amanda.

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Festas superlotadas
Segundo o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, a Boate Kiss tinha capacidade para 691 pessoas, mas havia entre 1,2 mil e 1,5 mil jovens no local na madrugada do incêndio. A estudante Andrezza Bond, 19 anos, que também viajou ao Rio de Janeiro com colegas, disse que o grande número de pessoas era comum na casa noturna. "Presenciei festas superlotadas. Ficava apertada e via muita confusão na saída", afirmou ela.

"Já saí de lá quase desmaiando, de estar sufocada com tanta gente e empurra-empurra", disse Andrezza. Por isso, a estudante disse que evitava ir à boate aos sábados, dia de mais movimento. "Ia mais na quinta, que era um dia mais light. No sábado, tinha vezes que era impossível", afirmou.

Os estudantes são unânimes em afirmar que Santa Maria nunca mais será a mesma depois do trágico incêndio na boate Kiss. Eles recordam que o astral na cidade sempre foi bastante alegre, com festas e brincadeiras nos campi universitários.

O estudante Lucas Machado diz que não tem noção do que vai encontrar quando voltar para a cidade. "Vai ser complicado. Escutamos dos familiares que a cidade está em silêncio, cortado por barulho de sirenes de ambulâncias. Sempre vamos lembrar disso", afirmou. A comitiva de estudantes retorna a Santa Maria ainda nesta quarta-feira - enfrentarão cerca de 25 horas de viagem de ônibus. 

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

 

 

Fonte: Terra
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