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Tragédia de Santa Maria é o 2º maior incêndio do País; relembre

27 jan 2013
17h36
atualizado às 17h42
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Com um saldo parcial de pelo menos 233 mortos e mais de 100 feridos, a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), já é considerado o segundo maior incêndio da história do Brasil. O desastre supera o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, e perde em número de vítimas apenas para a tragédia do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói (RJ).

Relembre a tragédia do Gran Circus, o maior incêndio do Brasil
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O incidente da madrugada deste domingo ocorreu durante uma festa universitária na boate Kiss, no centro de Santa Maria, município localizado na região central do Rio Grande do Sul. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo teve início às 2h30, enquanto centenas de pessoas assistiam à apresentação de uma banda.

Segundo relatos das autoridades locais, a maior parte das vítimas morreu por sufocamento. Um segurança que trabalhava no local no momento do incêndio afirmou que muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou.

Incêndio no Edifício Joelma chocou o País
A tragédia de Santa Maria supera, em número de vítimas, o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, que deixou 187 mortos em 1974. No dia 1º de fevereiro daquele ano, o Brasil assistiu horrorizado às imagens de pessoas que, no desespero diante da impossibilidade de serem resgatadas, decidiram se atirar de janelas do prédio de 25 andares.

Inaugurado três anos antes, o edifício ardeu em chamas após um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado do 12º andar. A presença de material inflamável permitiu que o incêndio se alastrasse rapidamente pelos demais pavimentos. Em poucos minutos, os ocupantes do prédio comercial ficaram impossibilitados de acessar as escadarias, que foram bloqueadas pelo fogo e pela fumaça densa. Dos mais de 750 ocupantes do edifício, 187 morreram e mais de 300 ficaram feridos.

Tragédia do Gran Circus deixou mais de 500 mortos
O maior incêndio do País, porém, ocorreu no dia 17 de dezembro de 1961, durante a apresentação do Gran Circus Norte-Americano em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Mais de 3 mil pessoas lotavam a grande tenda de espetáculos quando o fogo teve início. Em poucos minutos, todo o teto de parafina derreteu sobre o público. Em meio ao pânico generalizado, dezenas de pessoas foram pisoteadas pela multidão e por uma elefanta do circo, que fugiam em direção ao lado de fora.

A escalada do número de vítimas - inicialmente, foram contabilizados 300 mortos, posteriormente ampliados para 400 até chegar ao número oficial de 503 - provocou comoção mundial, e diversos países, como Argentina e Estados Unidos, além do Vaticano, contribuíram com o envio de equipes médicas e insumos para o tratamento das vítimas.

Apesar de diversos relatos de precariedade das instalações, a responsabilidade pelo incêndio recaiu sobre um ex-funcionário do circo que havia sido demitido após dois dias de trabalho na montagem da estrutura. Supostamente sofrendo de distúrbios mentais, Adílson Marcelino Alves, o Dequinha, teria arquitetado a vingança de atear fogo ao negócio de seu ex-empregador com a ajuda dos amigos José dos Santos, o Pardal, e Walter Rosa dos Santos, o Bigode.

Em outubro de 1962, Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão com seis anos de internação em manicômio judiciário, Bigode foi condenado a 16 anos com um ano em colônia agrícola e Pardal, sentenciado a 14 anos de prisão com dois anos em colônia agrícola. Menos de um mês após fugir da prisão, em 1973, Dequinha acabou assassinado.

Tragédias se repetem em todo o mundo
O incêndio na boate Kiss também é uma das maiores tragédias recentes em todo o mundo. Um caso emblemático ocorreu no dia 30 de dezembro de 2004, em Buenos Aires, capital da Argentina, quando 193 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas em um incêndio na discoteca República Cromañón. As chamas teriam começado quando fogos de artifício lançados pelo público atingiram o teto. As saídas de emergência estavam fechadas, e o acidente motivou o governo a endurecer as regras de segurança das boates.

O maior incêndio em casa noturna que se tem notícia no mundo ocorreu em 28 de novembro de 1942, na boate Cocoanut Grove, em Boston, nos Estados Unidos, que tirou a vida de 491 pessoas. No dia 27 de dezembro de 2000, um incêndio em uma discoteca de Luoyang, na China, matou outras 320 pessoas. Mais recentemente, em 2009, 156 pessoas morreram e outras 10 ficaram feridas no incêndio de um clube noturno em Perm, na Rússia, também causado por fogos de artifício.

Incêndio em casa noturna
Um incêndio de grandes proporções deixou ao menos 232 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo começou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile para viajar a Santa Maria.

Com informações das agências AFP e EFE.

 

Fonte: Terra
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