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RS: polícia retém câmeras fotográficas de vítimas para perícia

31 jan 2013
12h14
atualizado às 12h14
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Os familiares das vítimas e os sobreviventes do incêndio começaram na quarta-feira a retirar na 1ª Delegacia de Polícia de Santa Maria pertences deixados na Boate Kiss durante a tragédia que matou 235 pessoas na madrugada do último domingo. A polícia, no entanto, não está liberando as câmeras fotográficas das vítimas. Eles deixam as famílias olharem os equipamentos, mas estão preservando para a perícia. 

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A mãe de Laureane Salapata Silva, uma das jovens que perdeu a vida na tragédia, foi hoje à delegacia recuperar os pertences da filha. "Ela era muito alegre. Está muito difícil, muito difícil", disse Janete, moradora de Santo Ângelo.

A mãe conta que a filha entrou aos 16 anos no curso de Terapia Ocupacional da UFSM. A menina chegou a hesitar ir à festa organizada por acadêmicos. "Ela disse que tinha que estudar. Aí as colegas conseguiram um ingresso e foram lá buscar", contou. Mesmo depois de ter chegado à maioridade, ainda pedia autorização para Janete para sair.

"Ela me ligou e perguntou se podia ir à boate. Eu disse: filha, tu tens 18 anos, eu não posso proibir, mas tu sabes que teu pai não gosta que tu vá a boates", recordou a mãe, chorando muito. Duas amigas de Laureane seguem internadas. Outra amiga morreu e foi enterrada em Teutônia (RS).

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Comanda
Sobrevivente do incêndio na boate, Patrícia Souza, 27 anos, foi à delegacia buscar sua carteira com documentos para voltar a sua cidade, Cascavel (PR). Para ela, seguranças que estavam do lado de fora da casa não tinham ideia do que estava acontecendo no início do tumulto. "Tinha um rapaz que havia brigado dentro da boate e estava tentando voltar. Quando eu saí, os seguranças estavam tentando resolver essa situação. Por isso eu acho que eles não sabiam", disse Patrícia com a carteira na mão, dentro da qual havia uma comanda da boate Kiss, chamuscada pelo incêndio.
 
Patrícia foi passar quatro dias em Santa Maria para ver amigos, que insistiram para ir à boate. Ela considerou o espaço apertado, mesmo na área VIP, onde estava sua mesa. "Era muito apertado. Para ir ao banheiro você tinha que passar por um monte de gente", disse. No tumulto, viu muita gente se machucar. "Uma menina ficou ferida com o salto e começou a jorrar sangue. Tirei o meu cinto para ela enrolar no pé", contou. Ela ainda não sabe se vai guardar a comanda da noite que terminou em tragédia. Por estar muito perto da porta, conseguiu sair ilesa.
 
Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
 
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
 
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.
 
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
 
Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
 
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.
 

Fonte: Terra
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