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RS: perícias empurram conclusão do inquérito da Kiss para a próxima semana

A previsão inicial era que os documentos fossem enviados pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) até esta quarta-feira

13 mar 2013
23h35
atualizado às 23h35
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Os resultados das perícias aguardadas pela Polícia Civil de Santa Maria (RS) para a conclusão do inquérito que investiga a tragédia na Boate Kiss vão atrasar a conclusão dos trabalhos. A previsão inicial era que os documentos fossem enviados pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) até esta quarta-feira, mas o ato foi adiado para sexta-feira.

<p>Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos donos da Kiss, sai da delegacia com cópias do processo</p>
Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos donos da Kiss, sai da delegacia com cópias do processo
Foto: Luiz Roese / Especial para Terra

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Para que o trabalho termine, a Polícia Civil depende da chegada de laudos sobre a estrutura do local onde funcionava a casa noturna, os extintores do incêndio, a espuma que havia no teto da boate e as causas das mortes. O delegado Sandro Meinerz diz que seriam necessárias "algumas horas" para analisar o material do IGP, que tem previsão de chegar na sexta-feira. Mas não se sabe o horário em que isso vai acontecer. Então, o trabalho não termina antes da próxima segunda-feira.  

"Há pequenos detalhes técnicos, questões de normas técnicas, em relação à estruturação do prédio, que serão respostas que nós vamos obter através dos laudos. Sabemos de algumas coisas, mas nada melhor que os peritos nos afirmarem isso textualmente através da análise que eles estão fazendo", afirma o delegado Sandro, que considera "fundamentais" os laudos do IGP para conclusão do inquérito.

Também há ainda alguns depoimentos pendentes.  Nesta quarta-feira, foi ouvido o chefe da fiscalização em 2009, Marcus Vinícius Birmann, que assinou o primeiro alvará de localização da Kiss em 2010. Segundo o delegado Sandro, o depoimento não trouxe novidades para o inquérito.  Basicamente, ele reafirmou que, para o alvará de localização, a documentação exigida seguiu todas as exigências contidas no decreto municipal 32/2006.

Mas um depoimento importante que ainda está nas contas é o de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos donos da Kiss. Ele já foi ouvido pela Polícia Civil no mesmo dia da tragédia, em 27 de janeiro, mas ainda restam ser esclarecidas contradições apontadas por outras testemunhas. A intenção da Polícia Civil era tomar o depoimento dele ainda nesta quarta, mas o advogado de Kiko, Jader Marques, alegou que precisaria ter acesso integral ao inquérito para preparar seu cliente. As cópias dos mais de 30 volumes já foram obtidas pelo defensor, mas ainda não há um acordo sobre a data em que Spohr será reinquirido. Isso pode acontecer até mesmo no sábado.  

Outro que vai ser ouvido é o comandante regional dos bombeiros, Moisés da Silva Fuchs. O depoimento dele está marcado para a tarde desta quinta-feira.

"Não há treinamento que prepare para isso", diz bombeiro da reserva
Um bombeiro da reserva, que foi um dos responsáveis pelos treinamentos dos homens da corporação em Santa Maria, deu um depoimento de quase cinco horas à Polícia Civil entre o final da manhã e o início da tarde desta quarta-feira. Ele destacou que, apesar de toda a preparação que os bombeiros têm, não há como se preparar para um evento semelhante ao que aconteceu na Boate Kiss. "Não há treinamento que prepare para isso”, disse o major Paulo Junior Rodrigues Espíndola, que foi para a reserva em 2010.

Espíndola explicou que os bombeiros recebem treinamento periódico, mas que o evento Kiss foi "fora do normal". Apesar de estar fora do Corpo de Bombeiros, ele avaliou que, até a época em que esteve na ativa, a corporação estava bem servida de equipamentos.

Sobre a participação de civis no auxílio de resgate das vítimas, ele considerou que os bombeiros que foram atender o incêndio da Kiss não tiveram alternativa, porque não havia gente suficiente para uma ocorrência daquela magnitude.  

O major também foi perguntado se tinha conhecimento sobre a liberação de alvarás na Seção de Prevenção a Incêndio do 4º Comando Regional dos Bombeiros, que tem sede em Santa Maria. Mas ele disse que só atuou no setor "eventualmente" e que não tinha muitas informações a respeito. 

Incêndio na Boate Kiss
Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 230 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Especial para Terra
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