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RS: jovem diz que escapou da morte porque pai o proibiu de sair

27 jan 2013
23h12
atualizado às 23h19
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O estudante João Vitório Tavares, 19 anos, diz que poderia ter sido mais uma das mais de 200 vítimas do incêndio na boate Kiss, ocorrido na madrugada deste domingo, em Santa Maria. Sua vida, segundo ele, foi salva pelo seu pai, "que trancou o pé e me proibiu de sair", disse no velório de um de seus amigos.

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"Os guris já tinham me ligado umas setes vezes para ir para a Kiss, já tinha até me arrumado, mas meu pai trancou o pé na porta e não me deixou sair. Acabei dormindo e fui acordado por várias ligações me perguntado se eu estava bem", disse o estudante.

Ele perdeu ao menos três amigos na tragédia. "Poderia ter sido eu, era para eu estar lá", dizia. "A ficha ainda não caiu, não sei como pode ter acontecido uma coisa dessas", disse o jovem, demonstrando muita perplexidade com o ocorrido, que ceifou a vida de vários conhecidos seus.

Roberta Hardtori, 23 anos, conta que perdeu duas amigas e dois amigos na tragédia. Segundo ela, as mortes devem fazer com que autoridades sejam mais atuantes na fiscalização das casas noturnas. "Acho que os pais também vão ficar mais preocupados com os filhos, já que essa é uma cidade universitária", afirmou.

Segundo ela, nesse momento, o sentimento é de indignação com o que aconteceu. "Com tudo, com as autoridades, com o descaso, falta de preparo, estrutura", desabafou a jovem com os olhos vermelhos após um dia de más notícias.

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

Fonte: Terra
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