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RS: família busca instrumento de músico e admite negligência da banda

31 jan 2013
17h00
atualizado em 1/2/2013 às 08h28
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O pai e o irmão do instrumentista Danilo Brauner Jaques estiveram nesta quinta-feira na 1ª Delegacia de Polícia de Polícia de Santa Maria para retirar a gaita (termo regional para acordeão) do músico, uma das vítimas do incêndio da Boate Kiss que matou mais de 230 pessoas. O músico tocava na banda Gurizada Fandangueira, que é apontada pela polícia, com base em depoimentos, como responsável pelo acionamento do equipamento pirotécnico que teria iniciado o fogo.

Daniel Cabreira Jaques, 53 anos, pai do gaiteiro Danilo Brauner Jaques, que morreu no incêndio da Boate Kiss, busca o instrumento usado pelo filho
Daniel Cabreira Jaques, 53 anos, pai do gaiteiro Danilo Brauner Jaques, que morreu no incêndio da Boate Kiss, busca o instrumento usado pelo filho
Foto: Daniel Favero / Terra

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"A banda foi negligente, mas tem uma coisa: como uma casa como aquela tinha permissão para funcionar?", pergunta o irmão, Bruno Brauner Jaques, 18 anos, que trabalha como técnico de som. "Por eu trabalhar separado dele não estava lá", afirmou.  De acordo com o Bruno, Danilo possuía treinamento anti-incêndio, já que foi um dos moradores de seu prédio que fez o curso. "Tenho certeza de que, se o extintor estivesse funcionando, teria ajudado a combater o fogo", afirmou, considerando que a "corda sempre arrebenta do lado mais fraco".

Muito abalado, o pai de Danilo, Daniel Cabreira Jaques, 53 anos, disse que o filho aprendeu a tocar gaita com ele, quando tinha 9 anos de idade. "Ele era muito bom. Ensinei o básico, depois ele foi aprendendo sozinho", conta.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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