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Peritos voltam à Boate Kiss para analisar causas de incêndio

1 fev 2013
10h13
atualizado às 10h24
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Foram retomados na manhã desta sexta-feira, em Santa Maria (RS), os trabalhos do Instituto Geral de Perícias (IGP) na Boate Kiss, onde, no último domingo, mais de 200 pessoas morreram por causa de um incêndio. Os trabalhos têm sido realizados diariamente desde o início da semana, e buscam repostas para as diversas indagações feitas pelo delegado responsável pelo inquérito, Marcelo Arigony, em busca de informações técnicas que possibilitem apontar a causa e a responsabilidade pela tragédia.

A frente da Boate Kiss, em Santa Maria, virou um santuário de homenagens às vítimas
A frente da Boate Kiss, em Santa Maria, virou um santuário de homenagens às vítimas
Foto: Daniel Favero / Terra

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Além do IGP, profissionais do corpo técnico do Conselho Regional de Engenharia e Agricultura do Rio Grande do Sul (CREA-RS) também devem iniciar os trabalhos no local coletando informações que podem ser úteis para o andamento do inquérito - como, por exemplo, quem foi o engenheiro responsável pelas obras feitas no prédio da Kiss.

Também está na fila para a perícia o Corpo de Bombeiros, que abriu um Inquérito Policial Militar para investigar se os bombeiros tiveram alguma responsabilidade com problemas na fiscalização do Plano de Prevenção contra Incêndio ou no socorro das vítimas. Após as perícias, o local deve ser fechado para que a cena da tragédia seja preservada enquanto durarem as investigações.

No final da tarde de quinta-feira, o delegado que coordena as investigações, Marcelo Arigony, disse que a provável causa das mortes foi o gás tóxico gerada pela queima da espuma acústica que revestia um terço da boate. "Onde não havia espuma, quase não queimou", disse o delegado. Ainda de acordo com informações preliminares dos peritos, repassadas para a polícia, não foi usada uma substância que retardasse a combustão, que impediria que o fogo se espalhasse com tanta rapidez.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Desde o incêndio, parentes de vítimas depositam diariamente flores em frente à Boate Kiss, como em uma espécie de santuário, onde as famílias expõem toda sua revolta com a perda de entes próximos.

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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