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"Ninguém acreditava que o teto estava em chamas", diz jovem

27 jan 2013
20h34
atualizado às 21h13
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Foi um sinalizador que fez o teto arder em questão de segundos. Ana Paula Muller conseguiu escapar antes de que o fogo e a fumaça consumissem, neste domingo, uma boate no Rio Grande do Sul, durante uma festa de universitários. Mas viu um amigo perder a vida. "Estávamos muito perto do palco e vimos tudo desde o começo. Foi um sinalizador que o vocalista soltou, atingiu o teto e deu início ao incêndio. Foi tudo muito rápido", descreveu a sobrevivente da tragédia na boate Kiss, localizada na cidade de Santa Maria. Emocionada, a estudante de engenharia civil, 19, lembrou como abriu caminho entre a multidão apavorada.

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"Mais ou menos na metade, olhei para trás e estava tudo preto por causa da fumaça. Caí, mas consegui me levantar, e fugi. Vi pessoas caírem, mas, na hora do pânico, ninguém pensa nos outros." "Um amigo que estava conosco conseguiu sair, mas teve uma parada cardíaca e não resistiu. Também perdi outras pessoas que conheço da faculdade", lamentou a estudante.

O amigo de Ana Paula está entre os 233 mortos deixados pelo segundo pior incêndio já registrado no Brasil. O grupo sertanejo Gurizada Fandangueira se apresentava na boate Kiss, quando ocorreu a tragédia.

Rocheli Brondani também é uma sobrevivente. "Olhei para o teto e vi que havia um incêndio, foi tudo muito rápido. Eu dizia que o teto estava pegando fogo, mas ninguém acreditava, ninguém me dava atenção. Saí correndo, não ajudei nem a minha amiga, não olhei para trás, e consegui sair." A universitária, 23, lembrou que, na porta, os seguranças "não entendiam o que estava acontecendo. Achavam que se tratava de uma briga, e, depois, perceberam que era um incêndio."

"Vi pessoas feridas, vomitando, minha amiga foi pisoteada, mas sobreviveu. Ela contou que, quando estava perto da porta, as pessoas começaram a cair umas por cima das outras. Ela se segurou em outra pessoa e conseguiu sair", descreveu Rocheli, aluna de engenharia civil da Universidade Federal de Santa Maria, onde estudava a maioria dos jovens que participavam da festa, segundo o vice-reitor, Dalvan Reinert.

"No começo, não parecia tão horrível. Quando consegui sair, estava mais tranquilo, só havia gente se empurrando, mas, depois, ninguém conseguiu sair", lamentou Rocheli.


Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

 

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

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