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Músico diz ter visto brincadeira com extintor na Kiss em dezembro

1 fev 2013
12h15
atualizado às 12h30
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O médico veterinário João André de Salles, que toca saxofone nas horas vagas, afirmou nesta sexta-feira ter visto um jovem pegar e acionar o extintor que fica ao lado do palco na boate Kiss, quando se apresentou no local em dezembro do ano passado. O equipamento seria o mesmo utilizado pelo músico da banda Gurizada Fandangueira e que não funcionou. A atitude pode ter sido a causa da falha durante o incêndio que matou até agora 236 jovens no último domingo, caso não tenha sido feita a recarga após o uso indevido.

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"Ele tirou o extintor da parede, deu uns jatos nos amigos e pegou um pouco de pó branco em uma cortina perto de onde eu estava no palco. Eu olhei para ele com um olhar de reprovação e ele acabou colocando o extintor de volta na parede", disse ao Terra o veterinário, morador de Caxias do Sul.

Segundo relatos de testemunhas, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira tentou apagar o foco de fogo no teto da boate com um extintor, mas o equipamento não teria funcionado. Ontem, o dono da empresa Previne Extintores, Carlos Weber, afirmou ao Terra que, após situações relatadas por Salles, o equipamento de segurança precisa ser recarregado. "No momento em que tu deres um toque no extintor, sai um pouquinho de pó, a pressão vai sair devagarinho, o pó fica lá dentro. Fica o pó, mas não tem pressão para expelir o pó. A recarga precisa ocorrer automaticamente depois disso", afirmou.

A última recarga feita pela Previne nos extintores da boate Kiss foi em outubro, com validade de um ano. Weber afirma que brincadeiras com extintores são comuns e que os proprietários precisam checar a situação dos equipamentos, conforme preveem os manuais.

De Salles disse ter ido se apresentar na boate Kiss a convite de seu amigo, que tem um grupo chamado Fabrício Beck Trio. Ele contou não ter achado o local seguro. "A gente entrou umas seis horas da tarde para passar o som e a boate parecia um cubo fechado. Tinham uns funcionários fumando. Eu perguntei se podia fumar ali dentro e eles disseram: agora pode."

O Terra tentou entrar em contato com o advogado Jader Marques, que faz a defesa de Elissandro Spohr, um dos sócios-proprietários da boate, mas ele não atendeu às ligações.

 

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

 

 

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
 
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
 
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.
 
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
 
Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
 
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.
 

 

 

Fonte: Terra
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