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Mataram meu filho, diz mãe de vítima de incêndio em boate

27 jan 2013
21h28
atualizado às 21h54
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"Mataram meu filho! Mataram meu filho!", gritou uma mãe antes de desmaiar, após receber a notícia de que o jovem havia perdido a vida, juntamente com mais de 200 pessoas, no incêndio em uma boate repleta de universitários localizada em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Os corpos foram levados do local até o Centro Esportivo Municipal de Santa Maria, onde era feita a identificação. Muitos dos quase mil familiares e sobreviventes se abraçavam e choravam, à espera de informações oficiais.

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Horas antes, em frente à boate Kiss, o cenário era de gritos, caos e tentativas desesperadas de resgate. O analista de sistemas Max Müller, 33, disse não conseguir esquecer as cenas que testemunhou em frente à boate às 03h15 deste domingo, e registrou com uma filmadora. "O que está no vídeo é 10% do que eu vi. A situação piorava à medida que a noite passava. Os pais e amigos de quem estava na boate começavam a chegar. Estou traumatizado. Vi vítimas com um lado do rosto derretido, pessoas que tentavam ajudar fazendo massagem cardíaca sem saber, quebrando ossos."

"É horrível ver tantos mortos, garotos, no chão, pessoas chorando, outras, vomitando, sem conseguir respirar. Alguns arrancavam roupas para fazer massagem, mas nem todos estavam aptos a isso", descreveu. No Centro Esportivo Municipal, Diego Godói perdeu a esperança de encontrar com vida seu amigo e vizinho Juan Callegari, um estudante de veterinária de 19 anos. "Percorremos todos os hospitais e não encontramos seu nome, então estamos esperando apenas sair a lista dos corpos aqui do centro esportivo", disse Diego à AFP.

Daiane Jacques da Silva e outros parentes procuravam a estudante de direito Natana Pereira Campos, 20. Percorreram todos os hospitais e acompanhavam atentamente as informações publicadas pela imprensa. "Estamos aguardando a confirmação, porque há muita gente nos hospitais e, alguns, estão sem identificação, então é bastante difícil, qualquer notícia já é alguma coisa", comentou Daiane.

Tatiane de Jesus Lopes, 31, aguardava informações sobre a irmã Pamela, 20, que trabalhava na boate. "Estamos esperando para ver se ela está aqui. Caso contrário, precisamos ver onde iremos procurá-la." Bruno Marques Vack, 28, acordou às 7h deste domingo com o telefonema de um primo que não conseguiu entrar na boate e informou que outros três primos estavam no local. "Já reconhecemos minha prima Maria Mariana e David. Walter está desaparecido, dizem que está no hospital, mas não o encontramos", disse Bruno, após se queixar da falta de informação de funcionários da Justiça.

Incêndio em casa noturna
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

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