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Jovem que tentou manter vítimas vivas diz que 'foi desesperador'

28 jan 2013
14h48
atualizado às 15h11
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Ricardo Felipe Rodrigues Lemos, 26 anos, trabalhava como manobrista e no caixa de um estacionamento próximo à boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada do último domingo, quando ouviu uma gritaria na rua. Naquele momento ele percebeu que havia algo de errado acontecendo, mas não podia prever a dimensão da tragédia que ocorrera a poucos metros: mais de 230 mortos e dezenas de feridos.  "Vi que era algo sério quando três rapazes correram em minha direção pedindo ajuda e corri para ajudar como pude", recorda o estudante de sistemas de informação, que fazia um 'bico' no estabelecimento há alguns meses. 

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, matou mais de 230 pessoas na madrugada de domingo
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, matou mais de 230 pessoas na madrugada de domingo
Foto: Um Santamariense/Facebook / Reprodução

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O rapaz então correu para ajudar os feridos, que saíam "desnorteados" da casa noturna, gritando por socorro. Segundo ele, as primeiras ambulâncias não demoraram muito a chegar, e muitos médicos e enfermeiros que moravam na cidade apareceram para ajudar voluntariamente. "Fui socorrendo como podia. Joguei água em algumas das pessoas que saíram desesperadas, ajudei como pude até que as equipes de resgate chegassem. Na hora do desespero, houve uma rede de solidariedade muito forte. As pessoas não sabiam o que fazer, mas estavam ali dispostas a ajudar como podiam", contou.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Lemos conta que recebeu a orientação dos socorristas para que conversasse com as vítimas na tentativa de mantê-las acordadas enquanto as demais ambulâncias ainda estavam a caminho. "Os paramédicos pediram pra eu tentar manter as pessoas acordadas. Eu falava: 'cara, fala comigo! Olha pra mim! Fica comigo!', mas foi desesperador. Vi umas 20 pessoas morrerem. Foi um negócio muito, muito triste", lamentou.
 
A notícia do incêndio se espalhou rapidamente pela cidade e, para evitar que as famílias das vítimas se deparassem com os corpos em frente à casa noturna, as equipes de resgate começaram a levar as vítimas mortas para o estacionamento onde Lemos trabalhava. "Eu ajudei a carregar os corpos, para tentar minimizar o impacto dos familiares. E fui tirando os carros de lá, para que os feridos não vissem as vítimas naquele estado", disse. 
 
O incêndio na boate começou por volta das 2h30, mas Lemos só deixou o local por volta das 10h30 de domingo. Cerca de 24 corpos foram deslocados ao estacionamento até o resgate, que ocorreu no início da manhã. 
 
"Isso eu vou levar para o resto da minha vida. Foi uma situação muito traumática. Acho que ninguém que estava lá, nem o pessoal da Brigada (Militar, responsável pelo resgate das vítimas), nem os voluntários, ninguém continuará o mesmo. Eu não vou conseguir ser mais o mesmo", disse o jovem. "Santa Maria está parada hoje. Muita gente foi afetada por essa tragédia, direta ou indiretamente. Graças a Deus eu não perdi ninguém, mas não tem como esquecer o que eu vi".
 
Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
 
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
 
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.
 

 

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Fonte: Terra
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