Tragédia em Santa Maria

publicidade
05 de fevereiro de 2013 • 11h47 • atualizado às 12h14

Governo federal reconhece situação de emergência em Santa Maria

Frente da Boate Kiss se transformou em local de homenagens e protestos para os moradores de Santa Maria
Foto: Daniel Favero / Terra

O governo federal publicou no Diário Oficial desta terça-feira a portaria assinada pelo secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, que reconhece a situação de emergência no município por causa do incêndio ocorrido no último dia 27 na boate Kiss. A informação foi divulgada em nota pela Secretaria Extraordinária de Ação Comunitária de Santa Maria. O decreto foi assinado pelo prefeito Cezar Schirmer no dia 1º de fevereiro.

Galeria de fotos: Veja quem são as vítimas do incêndio em boate de Santa Maria
Infográfico: Veja como a inalação de fumaça pode levar à morte
Veja relatos de sobreviventes e familiares após incêndio no RS

Segundo o comunicado, o reconhecimento de situação de emergência agiliza a liberação de recursos por parte do governo federal, permite que sejam feitas contratações emergenciais a fim de suprir a demanda excedente que precisará de serviços públicos urgentes e de qualidade; e dispensa a licitação dos contratos de aquisição de bens necessários às atividades de resposta ao desastre - de prestação de serviços e de obras relacionadas com a reabilitação dos cenários dos desastres -, desde que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias consecutivos e ininterruptos. O decreto tem vigência pelo prazo de 90 dias, a contar de 27 de janeiro, dia da tragédia. 

 
INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
 
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
 
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.
 
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
 
Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
 
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.