Tragédia em Santa Maria

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30 de janeiro de 2013 • 12h47 • atualizado às 16h00

Fotos mostram que uso de artefatos pirotécnicos na boate era comum

Frequentadores que comemoravam aniversário na casa noturna ganhavam uma garrafa de espumante com um sinalizador
Foto: Divulgação
 

Intervenções com pirotecnia eram comuns dentro da Boate Kiss, onde um incêndio matou mais de 230 pessoas na madrugada do último domingo em Santa Maria (RS). Fotos de eventos na casa noturna mostram que sinalizadores eram usados por equipes de entretenimento e para homenagear frequentadores que  comemoravam aniversário no local.

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Segundo o Corpo de Bombeiros, a boate não solicitou autorização para o uso de artefatos pirotécnicos. "Se tivesse havido solicitação para uso de fogos de artifício na boate Kiss, o Corpo de Bombeiros não teria autorizado. Os artefatos pirotécnicos utilizados na boate não têm amparo técnico para uso no local", informou a corporação em nota.

O estudante do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Guilherme Nascimento Monte, 20 anos, conta que o uso da pirotecnia era frequente na boate. Segundo ele, o artefato costumava ser preso em garrafas de bebidas alcoólicas. "Era bem comum. O pessoal que colocava lista de aniversário, se chegasse a 20 convidados, ganhava uma garrafa de espumante, e o sinalizador ia dentro. Depois, o pessoal saía caminhando com aquilo."

Segundo Guilherme, que frequentava a casa noturna de duas a três vezes por mês, o aniversariante podia circular livremente pela boate com o artefato aceso. "Tu ficavas responsável por aqueles sinalizadores. Até quando fiquei sabendo do incêndio, pensei que tinha acontecido porque alguém havia derrubado uma dessas garrafas", diz.

"Quando eu via aquilo, eu saía de perto. Na festa de Ano-Novo, todo mundo que pedia espumante ganhava duas garrafas, ambas com sinalizador", conta ele, afirmando que amigos relataram que a prática também é comum em outras casas noturnas da cidade.

Guilherme perdeu oito amigos no incêndio da Boate Kiss. "E um deles, o Daniel Rosa, tinha um filhinho de três anos. Recém tinha se separado e saiu com um amigo de trabalho. Ele quase nunca saía", diz.

Uso de fogos em apresentações
Uma das empresas de entretenimento que atuava na Boate Kiss com intervenções pirotécnicas comunicou nesta quarta-feira que não vai mais utilizar o artefato em suas apresentações. A Fuel Entretenimento disse que "repensou" o uso de fogos em lugares fechados. "Ainda que sempre tenha trabalhado com uma atenção especial à segurança, sentimos a necessidade de repensar as atividades realizadas", informou a empresa em nota.

"A Fuel, uma empresa nascida em Santa Maria, sente e lamenta a perda de diversos amigos, irmãos e de todos, muitos dos quais por vezes estiveram conosco, nos permitindo fazer parte de suas vidas. Apoiamos ainda às diversas empresas que estão tomando a correta atitude de por de lado estes materiais", disse a empresa no comunicado.

 

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Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

 

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