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Deputados vão ouvir prefeito de Santa Maria sobre tragédia em boate

Segundo o coordenador da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Schirmer já confirmou presença, apesar de não ter definido data

3 abr 2013
21h34
atualizado às 21h59
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A comissão da Câmara dos Deputados que levanta informações sobre a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS) vai ouvir o prefeito da cidade, Cezar Augusto Schirmer. Segundo o coordenador da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Schirmer já confirmou presença, apesar de não ter definido data.

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Os deputados estão aproveitando a experiência da tragédia para colher informações e aprimorar a legislação para evitar que fatos similares se repitam. "Acho que é uma oportunidade que temos de discutir um problema que envolve todo o Brasil sobre prevenção de incêndio, concessão de alvarás, funcionamento de casas de espetáculo a partir de um fato concreto", afirmou Pimenta.

Na noite desta quarta-feira, a comissão ouviu os delegados responsáveis pelo inquérito, Marcelo Mendes Arigony e Sandro Luís Meinerz. Já foram ouvidos representantes do Corpo de Bombeiros, do Crea, e proprietários de casas de espetáculos. Além do prefeito, ainda são esperados representantes do Ministério Público (que denunciou responsáveis) e do setor de seguros.

"O objetivo de vir aqui é justamente trazer aqui algumas experiências", afirmou Meinerz. "A presença dos delegados nos permite trabalhar em cima de um fato real, que torna muito mais nítida e possível o parlamento visualizar aquilo que precisa ser corrigido para que circunstâncias como essa não corra o risco de se repetir", acrescentou Pimenta.

Incêndio na Boate Kiss
Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou 241 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Terra

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