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Delegado: nada melhor que relatos para dizer o que aconteceu

29 jan 2013
10h28
atualizado às 10h45
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O delegado da Polícia Civil de Santa Maria Sandro Meinerz, que participa da força-tarefa que apura as causas do incêndio que matou 231 pessoas na Boate Kiss, afirmou nesta terça-feira que o foco das investigações, neste momento, é na prova testemunhal. "Nada melhor que as pessoas que estavam lá para dizer: 'olha, aconteceu desta forma'", disse ele.

O incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, deixou 231 mortos
O incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, deixou 231 mortos
Foto: João Vilnei/Prefeitura de Santa Maria / Divulgação

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Segundo o delegado, a polícia também já solicitou ao Corpo de Bombeiros o Plano de Prevenção Contra Incêndios da casa noturna, que estava vencido desde agosto de 2012. O alvará é aprovado pela corporação e, segundo depoimento de um dos sócios, estava em processo de renovação.

Os demais documentos da boate foram entregues à polícia pela prefeitura na manhã de hoje. A documentação contém informações que podem comprovar se houve irregularidades na estrutura e nos procedimentos de emergência, bem como a possibilidade de superlotação, que teriam contribuído para um elevado número de vítimas na casa noturna.

"Esses documentos, alvarás, planta do imóvel, devem nos auxiliar bastante nas investigações", disse Meinerz. O delegado minimizou a demora da prefeitura e do Corpo de Bombeiros para entregar a documentação. "Todos estamos com muita coisa ao mesmo tempo. É difícil fazer tudo", argumentou.

De acordo com o delegado, na noite de ontem foram feitas buscas nas duas casas noturnas pertencentes a Mauro Hoffman, um dos donos da Boate Kiss. O empresário também é proprietário da boate Absinto e da cervejaria Floriano. Segundo Meinerz, não foi encontrado nada que pudesse auxiliar nas investigações do incêndio.

O delegado também comentou sobre as condições das duas casas noturnas. "A questão fiscalizatória não é da polícia, mas claro que, se encontrássemos algo, tomaríamos as providências. Observamos a questão dos extintores, mas estava tudo em ordem", disse.

Mauro Hoffman e seu sócio na Boate Kiss, Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, tiveram a prisão temporária decretada e foram detidos pela polícia. Mauro foi levado à penitenciária de Santa Maria, assim como dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, também presos. Kiko está internado sob custódia em um hospital na cidade de Cruz Alta. Segundo seu advogado, ele trata de uma infecção decorrente da intoxicação pelo incêndio.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

Fonte: Terra
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