0

Cai para 127 o nº de internados pela tragédia em Santa Maria

31 jan 2013
17h34
atualizado às 18h30
  • separator
  • 0
  • comentários

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta quinta-feira que 127 pacientes continuam internados em unidades de saúde do Rio Grande do Sul em decorrência da tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria. Ainda de acordo com o ministro, 71 deles ainda estão em estado crítico e respiram com a ajuda de aparelhos. Os dados são do último boletim fornecido pela Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), fechado às 15h.

Galeria de fotos: Veja quem são as vítimas do incêndio em boate de Santa Maria
Infográfico: Veja como a inalação de fumaça pode levar à morte
Veja relatos de sobreviventes e familiares após incêndio no RS

Dos pacientes ainda em estado grave, cerca de 20 ainda correm risco de morte em decorrência das queimaduras e devem precisar de transplante de pele. O restante, segundo Padilha, apresentam graves problemas respiratórios, seja pelo calor do fogo ou pela pneumonia química causada pela inalação da fumaça tóxica.

Até o momento, apenas uma das pacientes apresentou uma piora significativa e evoluiu para o chamado SARA, um quadro mais grave de inflamação do pulmão. Nesse caso, ela está sendo tratada com uma técnica de ventilação extracorpórea, uma espécie de diálise pulmonar e que ajuda a promover uma recuperação mais rápida.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

Padilha também afirmou que não foi registrado um aumento significativo nas últimas 24 horas na procura por atendimento médico. Ainda assim, o ministro insistiu para que os jovens que estiveram na boate na noite de sábado procurem assistência em qualquer sinal de tosse, cansaço e dificuldade para respirar.

"Um dos casos é de uma moça que trabalhava na boate e se escondeu no freezer durante o incêndio. Ela saiu andando normalmente, chegou em casa e foi dormir. No dia seguinte, a mãe percebeu a respiração um pouco mais ofegante e levou a filha ao hospital. Ela chegou às 18h e, três horas depois, já estava na ventilação mecânica", explicou o ministro.

Números divergentes
Os dados apresentados por Padilha são divergentes dos divulgados mais cedo pela Secretaria de Saúde do Estado, que contabiliza 138 pacientes internados em razão da tragédia. Desses, 76 respiram com a ajuda de aparelhos (ventilação mecânica). Ao todo, segundo a secretaria, 87 ainda estão hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 51 em enfermarias ou em observação.

Segunda etapa
Alexandre Padilha também anunciou que um novo gabinete de crise da Força Nacional do SUS está sendo criado em Porto Alegre para trabalhar em parceria com o gabinete já instalado em Santa Maria. A estrutura servirá para monitorar os pacientes internados nas cidades de Santa Maria, Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas e Ijuí, além de servir de base para videoconferências diárias que estão sendo realizadas com o ministério.

A previsão do ministro é de que essa estrutura permaneça em funcionamento até o dia 18 de fevereiro, quando uma nova avaliação da situação será feita pelo governo federal. Até lá, o Centro de Atenção Psicossocial de Santa Maria permanecerá funcionado 24 horas por dia, assim como os núcleos de acolhimento aos familiares em todos os hospitais em que há pacientes internados.

Até o momento, há 45 leitos de UTI disponíveis para receber vítimas que voltem a procurar os serviços de saúde. Outras 16 vagas serão criadas nos próximos dias preventivamente. No próximo sábado, uma equipe da Universidade de Toronto, no Canadá, chegará ao Brasil para avaliar a situação dos pacientes em estado crítico e ajudar na aplicação de tecnologias de respiração assistida.

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade