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SP: shopping de luxo fecha as portas com clientes dentro diante de 'rolezinho'

18 jan 2014 - 13h45
(atualizado às 19h30)
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O shopping de luxo JK Iguatemi, na zona oeste de São Paulo, fechou as portas na tarde deste sábado diante da promessa de mais um “rolezinho” organizado por jovens. Com faixas e instrumentos musicais, o movimento deste sábado ganha um tom mais político e reivindicatório do que os atos anteriores.

"Basta de Apartheid. Fim do genocídio ao povo negro", dizia uma das faixas. A reclamação é pelo fato de a administração do shopping JK ter conseguido, no último sábado, uma liminar proibindo um "rolezinho" já agendado pelos jovens. De acordo com a decisão, o evento denominado "Rolezaum no Shoppim" foi proibido e a pena para cada manifestante identificado seria uma multa de R$ 10 mil por dia.

Outra faixa do evento, escrita em inglês, dizia que “No País da Copa do Mundo, shoppings racistas proíbem a entradas de pessoas negras e pobres”. Com gritos de guerra, que em nada lembram os “rolezinhos” registrados na periferia da capital, os jovens criticam o posicionamento do estabelecimento comercial: “chega de Apartheid, é ‘rolezinho’ nos shoppings da cidade”.

Antes da chegada dos manifestantes, o shopping funcionava normalmente.

Racismo

Entre os participantes do movimento está um advogado que disse representar os jovens. Elizeu Soares Lopes sugeriu aos manifestantes que deixassem os instrumentos de lado e, em fila, entrassem no shopping. Diante da recusa dos seguranças em deixar o grupo passar, Elizeu alegou estar sofrendo crime de racismo, já que ele é negro.

O advogado e outros jovens deixaram o local e foram até o 96º DP, na avenida Luís Carlos Berrini, para registrar um boletim de ocorrência por “racismo, constrangimento ilegal e imputação de prática criminosa”. “Eles estão achando que a gente vai cometer algum crime, antes disso acontecer”, criticou o advogado. 

Posição do shopping

O Shopping Center JK Iguatemi, em nota, aponta que "respeita manifestações democráticas e pacíficas, mas o espaço físico e a operação de um shopping não são planejados para receber qualquer tipo de manifestação. Com o compromisso de garantir a segurança de seus clientes, lojistas e colaboradores, e de acordo com procedimento padrão utilizado em situações semelhantes, o empreendimento interrompeu temporariamente suas atividades neste sábado, 18 de janeiro".

Vídeo mostra reunião de jovens para 'rolezinho' em shopping de luxo:

Polêmica

Os "rolezinhos" ganharam repercussão em todo o Brasil por causa das tentativas dos estabelecimentos comerciais em impedir o ingresso de jovens nos prédios, mesmo que, em alguns casos, nenhum crime fosse cometido. Ontem, a juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro proibiu o "rolezinho" marcado para este final de semana no Shopping Leblon.

A decisão da magistrada diverge da assinada pelo juiz Alexandre Eduardo Scsinio, de Niterói, que indeferiu pedido de liminar para impedir o evento no Plaza Shopping. No Estado de São Paulo, o Ministério Público abriu uma frente com cinco promotorias para tentar mediar a relação entre os jovens, o poder público e os donos de shopping centers. A Justiça já vetou ao menos mais um "rolezinho", no Tatuapé, marcado para este fim de semana. No entanto, pelas redes sociais, há encontros marcados para outros locais, incluindo o shopping JK Iguatemi e o Parque do Ibirapuera.

Fonte: Terra
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