Cidades

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01 de agosto de 2013 • 23h33 • atualizado às 01h39

SP: protesto contra o desaparecimento de Amarildo tem 13 detidos

Manifestantes carregam faixa cobrando informações sobre o paradeiro do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido no Rio de Janeiro
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
 

Terminou com treze detidos o protesto na capital paulista contra o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza no Rio de Janeiro, contra o governador Geraldo Alckmin e pedindo a desmilitarização da polícia. Os manifestantes foram detidos no final do ato, na avenida Paulista, próximo à rua da Consolação, por picharem uma farmácia.

O protesto, com cerca de 300 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, saiu do Viaduto do Chá, passou pela avenida 23 de Maio e pela avenida Brigadeiro Luiz Antônio antes de chegar à avenida Paulista. Esta é a terceira manifestação feita em São Paulo com estes objetivos.

Durante o trajeto na avenida Paulista, os manifestantes tentaram avançar sobre agências bancárias e deram gritos de guerra em favor da depredação. A polícia, no entanto, atuou para proteger as agências. Nos dois primeiros atos promovidos em solidariedade ao movimento carioca que pede explicações no caso do desaparecimento do pedreiro, agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram atacados. Amarildo desapareceu na Favela da Rocinha após ser levado por policiais militares para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

SP: manifestantes param faixa da 23 de Maio por desaparecidoClique no link para iniciar o vídeo
SP: manifestantes param faixa da 23 de Maio por desaparecido

Ao chegar à avenida Brigadeiro Luiz Antônio, houve um início de tumulto quando os policiais imobilizaram um manifestante. Posteriormente ele foi liberado. Também houve tumulto no momento das prisões na avenida Paulista, e a polícia chegou a usar bombas de efeito moral.

Vânia Folco, 50 anos, acredita que a mobilização é importante para evitar que o que aconteceu com Amarildo se repita. "As pessoas são muito egoístas, só saem para se manifestar quando matam o filho delas", disse a artesã que, apesar de não participar das depredações, não condena os atos de vandalismo. "A única maneira de chamar a atenção é quebrando".

A monitora de qualidade Natali Ferreira foi à manifestação para protestar, principalmente, contra o governador Geraldo Alckmin que, na opinião dela, não trouxe avanços nas áreas mais relevantes. "É a saúde que não temos, a educação que não temos, transporte que não temos. E ainda a polícia que é bruta", criticou.

Um panfleto distribuído no ato e assinado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) pedia a extinção da PM. O texto dizia que a corporação trabalha com "ódio e é parte da uma ideologia reacionária" e lembrava do Massacre do Carandiru, que está na segunda fase de julgamento nesta semana. Nesta etapa, 25 policiais militares são acusados pela morte de 73 detentos que ocupavam o terceiro pavimento do Pavilhão 9 da Casa de Detenção Carandiru. Toda a ação para reprimir a rebelião no Carandiru, em 1992, resultou em 111 detentos mortos e 87 feridos.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil