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SP: ocupação de edifícios é pressão por habitação, diz movimento

7 nov 2011 12h22
| atualizado às 14h07
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A invasão de vários imóveis desocupados no centro de São Paulo no início da madrugada desta segunda-feira foi a maneira que os movimentos de luta por moradia encontraram de pressionar o governo a ampliar o acesso habitacional de famílias de baixa renda. A Polícia Militar informou às 13h30 que contava 12 prédios e casas ocupados, todos de maneira pacífica.

Os líderes das ocupações afirmaram que os prédios foram tomados por mais de 3 mil pessoas que querem ser atendidas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que prevê o direito à moradia a famílias com renda até três salários mínimos.

O coordenador da Frente de Luta por Moradia, Osmar Borges, afirmou que a intenção das invasões foi mostrar que existem imóveis disponíveis e também recursos do governo federal para que o governo do Estado e a prefeitura reduzam o déficit habitacional da capital paulista, estimado por ele em 800 mil moradias. "Tem dinheiro disponível e queremos que as casas sejam construídas em grande escala para atender as famílias necessitadas."

De acordo com Borges, representantes da prefeitura compareceram aos locais que foram alvo das manifestações e se comprometeram a levar a reivindicação às áreas competentes. Ele informou que um grupo de sem-teto iria ainda esta manhã até a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) cobrar a retomada de obras paradas, no extremo sul da capital, próximo ao município de Itapecerica da Serra.

Contraponto
A prefeitura de São Paulo afirmou em nota oficial que "mantém diálogo permanente com todos os movimentos de moradia popular, muitos dos quais têm representantes no Conselho Municipal de Habitação". Segundo a administração municipal, projetos de urbanização de favelas, de locação social, e iniciativas como o Renova Centro, o Programa de Cortiços e a Operação Urbana Nova Luz beneficiam atualmente mais de 600 mil pessoas.

"Esses projetos vão gerar ofertas de moradia social no centro de São Paulo, portanto, não há justificativa para que os movimentos de habitação popular ocupem prédios na cidade." Segundo a nota, a secretaria de Habitação espera que os ocupantes liberem os prédios "para que possa dar sequência aos programas citados", e afirmou que "adotará, se necessárias, as medidas judiciais cabíveis".

Habitação no País
Segundo cálculos do governo, no Brasil há cerca de 55 milhões de imóveis e um déficit habitacional que afeta cerca de 5,5 milhões de famílias. No entanto, para a União Nacional por Moradia Popular, o déficit afeta cerca de 8 milhões de famílias.

O Ministério das Cidades argumentou que o déficit era superior há dois anos, mas que as políticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitiram a construção de um milhão de casas para famílias de baixa renda.

A presidente Dilma Rousseff se comprometeu no início de seu mandato a aumentar os recursos para o programa "Minha Casa, Minha Vida" e a construir pelo menos dois milhões de novos imóveis até 2014.

Segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Brasil precisa investir pelo menos R$ 3 trilhões até 2022 para construir 23 milhões de casas e eliminar o déficit habitacional atual e o que será criado até a data.

Com informações da Agência Efe e da Agência Brasil

'Tem dinheiro disponível', disse Osmar Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia
'Tem dinheiro disponível', disse Osmar Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia
Foto: Hélio Torchi / Futura Press
Fonte: Terra
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