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SP: fraudes em energia e trens têm personagens coincidentes

Ao detalhar pagamento de propina em contrato da Eletropaulo com a Cegelec (empresa do grupo Alstom), promotor afirmou que parte destes agentes pode ter atuado também no esquema de cartel em trens da capital

3 fev 2015
14h31
atualizado às 15h38
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Um dia depois de a Justiça realizar o bloqueio de R$ 282 milhões em bens da multinacional Alstom e do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TEC) Robson Marinho por suspeita de pagamento de propina em contrato assinado em 1990 com a Eletropaulo, o promotor do Patrimônio Público e Social José Carlos Blat afirmou, em entrevista coletiva, que este “grande escândalo de corrupção” possui “personagens coincidentes” com o esquema de fraudes em licitações e cartel nos trens da capital paulista. 

El Metrópolis de Alstom opera ya en Panamá, Singapur, Sao Paulo, Shanghai o Amsterdam.
El Metrópolis de Alstom opera ya en Panamá, Singapur, Sao Paulo, Shanghai o Amsterdam.
Foto: Reforma

“Existem outras personagens que estão sendo objeto de investigação neste caso [energia]. Ainda aguardamos informações da cooperação jurídica internacional, não podemos ser levianos. É uma investigação séria, não há pré-anúncio de nada", disse. "Mas infelizmente verificamos que, a partir deste caso minuciosamente investigado, se esquadrinhou toda uma sistemática de corrupção. Depois dele surgiu a investigação e o grande escândalo de trens do metrô e da CPTM, cujos personagens, alguns deles, são coincidentes. Até o modus operandi, a forma de pagamento de valores, era mais ou menos da mesma forma", completou.

O promotor disse ainda que as provas obtidas por eles também poderão ser utilizadas na investigação do cartel nos trens. "Existem inúmeros procedimentos em andamento na promotoria. Para que se use as provas de um caso em outro é preciso pedir autorização de compartilhamento. É um trâmite complexo, que estamos seguindo. Por hora só podemos dizer que há personagens coincidentes", completou. 

Propina em contrato
De acordo com Blat, a suspeita de pagamento de propina é em um contrato de R$ 1,129 bilhão assinado entre a Eletropaulo e a Cegelec (empresa do Grupo Alstom). Ele é referente a um projeto chamado Gisel II, que trata da modernização da transmissão de energia por meio da ampliação das subestações.

O contrato é de 1990, mas o pagamento só teria sido efetuado entre 1998 e 2002 (durante governo de Mario Covas). "A Alstom procurou diversas autoridades em diversos governos e não obteve êxito. Não conseguia executar. A partir da participação direta de Robson Marinho, o contrato foi executado", explicou. 

Ainda segundo o promotor, os investigadores, durante o trabalho, obtiveram "provas contundentes e irrefutáveis" no aspecto técnico. "Não há como desmentir o propinoduto que foi lançado neste contrato (...). Este tipo de esquema se repete no cenário nacional. São sempre as mesmas condutas. Aparecem empresas que maquiam valores de propina, empresas de fachada. Nesse cenário, Romeu Pinto Junior era um dos operadores. Não posso detalhar os pagamentos, mas foram vários, todos fatiados, feitos em contas abertas no exterior. Esta complexidade é interessante. Não teríamos condições de descobrir sozinhos, sem a cooperação internacional. Este esquema na década de 1990 era bem comum", completou. 

Ao todo, onze pessoas são alvo dos bloqueios da Justiça, sendo oito pessoas físicas - Robson Marinho e sua esposa Maria Lúcia de Oliveira Marinho, Sabino Indelicato e sua esposa Luci Lopes Indelicato, Romeu Pinto Junior e três ex-diretores do Grupo Alstom - e três pessoas jurídicas - a Alstom Brasil LTDA, a Cegelec e a Aqualux (esta última pertencente a Sabino Indelicato). 

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Fonte: Terra
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