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SP: famílias seguem acampadas em frente à prefeitura

O grupo, que está desde a noite de domingo no local, promete continuar com o ato até que o prefeito Fernando Haddad os receba

16 jul 2013
11h39
atualizado às 11h47
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As cerca de 300 famílias do Movimento Moradia Casa Dez permanecem acampadas em frente à prefeitura de São Paulo, em protesto pela construção de casas populares na capital. O grupo, que está desde a noite de domingo no local, promete continuar com o ato até que o prefeito Fernando Haddad os receba. Ontem, o secretário de Relações Governamentais, João Antonio da Silva Filho, aceitou receber o grupo, desde que as barracas fossem retiradas.

<p>Além das barracas, uma grande tenda também foi montada no local para que os manifestantes possam comer</p>
Além das barracas, uma grande tenda também foi montada no local para que os manifestantes possam comer
Foto: Bruno Santos / Terra

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

Os manifestantes, porém, negaram-se a deixar o local e disseram que não participariam da reunião. A prefeitura informou que não vai tomar medidas para a retirada forçada do acampamento. Eles reivindicam o início da construção de 55 mil moradias populares, a desapropriação de três terrenos - dois na Vila Liviero e um em Interlagos, além da concessão do benefício aluguel social para 1,5 mil famílias na cidade.

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“Conhecemos a máquina da prefeitura. Demora muito para fazer projeto, escolher terra, etc. Mas como já temos experiência nisso já estamos apresentando as terras com a documentação e com o projeto, então estamos ajudando o prefeito a cumprir com a promessa de 55 mil moradias. Ninguém aqui é inocente de que em seis meses construirá tudo isso, nem em quatro anos”, afirmou um dos líderes do movimento.

Além das barracas, uma grande tenda também foi montada no local para que os manifestantes possam comer. Segundo Paulo, há comida para cerca de 3 meses. “Temos estrutura, mas queremos prazo. Quando vai atender nossas famílias? Quando vai publicar a desapropriação dos terrenos no Diário Oficial? Quando vai pagar esses terrenos? Não temos prazo para sair daqui”, disse Paulo Roberto Nunes Viana, coordenador do Movimento de Moradia Casa Dez.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil Agência Brasil

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